sexta-feira, 17 de março de 2023

A lenda do Espírito da Floresta

O Espírito da Floresta também conhecido como “Chullachaqui” é um demônio de pequena estatura, quem diz tê-lo visto afirma que ele usa um grande chapéu de palha que esconde um rosto enrugado, no qual se destacam um nariz proeminente, orelhas pontudas e olhos vermelhos. O Espírito da Floresta tem pouco mais de um metro de altura e usa trapos muito sujos. Outros dizem que ele anda encurvado e com os pés erguidos. Mas, a principal característica, da qual deriva o seu nome, refere-se aos seus pés: um é de humano e o outro de animal, que pode ser veado, queixada, tartaruga, galo, etc. O nome “Chullachaqui” desse duende travesso deriva de duas palavras do Quéchua: “ch’ulla” que significa “desigual ou diferente”. A outra palavra é “Chaqui” que significa “pé”. Ao que pode ser entendido como: “Pés desiguais”. Em Kokama fica: Tɨmay+atɨren pɨeta. O Espírito da Floresta vive nas profundezas da densa floresta Amazônica, com a capacidade de se transmutar em uma criança, um parente da vítima que está perseguindo ou até mesmo de um conhecido seu. Esse espirito com o nome de “Chullachaqui” é amplamente conhecido na Amazônia. Em alguns lugares é conhecido também por “tsulla chaki”, que significa "um pé". Em Kokama fica: wepe pɨeta. Dizem que ele fica com medo quando você grita no ouvido dele, mas é preciso ter calma e coragem ao fazer isso. Em outras regiões amazônicas, o duende também é conhecido como: "Shapshico" e "Ishingo". De acordo com a tradição Kokama, nas raízes da Samaúma vive o Espírito da Floresta “Shapshico” ou diabo da floresta ou velho do rio. É falado que o Espírito da Floresta bate a raiz da Samaúma para anunciar uma tempestade. Com o termo “Ishingo”, dizem alguns, que é a alma de um bebê abortado, outros dizem que nada mais é do que criança que morreu em tenra idade, de forma surpreendente ou trágica, e o próprio fato de se recusarem a morrer e passarem para o próximo plano evolutivo. Ele se mantem neste mundo transfigurado como um ser demoníaco, feio e danado. Por isso, é comum sabermos de pessoas que viram e foram vítimas de artimanha por conta de suas visitas, pois só sabem incomodar, causar medo e fazer bagunça sem medir as consequências de seus atos. Como é sabido, a floresta amazônica tem vários duendes: seres ambíguos, que às vezes aparecem de forma amigável para fazer companhia e brincar com crianças que ficam sozinhas em casa, mas que às vezes também são bastante feios e letais quando se apegam com alguma criança e decide levá-la com eles, para se tornar um deles. O Espírito da Floresta é considerado o Guardião da floresta, inspira respeito e medo aos nativos e aos estranhos. Muitas vezes é associado ou relacionado ao diabo, em algumas variantes, e em parte, com seres demoníacos. Além disso, dizem que não é apenas um, mas vários. Em outras crenças amazônicas, acredita-se que o Espírito da Floresta “Chullachaqui” se origina da relação entre um duende e um demônio, sendo uma espécie híbrida entre os dois. Geralmente ele aparece para quem anda sozinho nas trilhas ou na floresta. Segundo a tradição, às vezes ele se apresenta de forma amigável e concedendo presentes da floresta, desde que a pessoa que os recebe não diga a origem de sua boa sorte, outras vezes ele é agressivo. Mas, normalmente, ele só desfere sua agressividade contra pessoas ruins, pecadores, corruptos e ateus. Diz-se que o Espírito da Floresta “Chullachaqui” rouba crianças para brincar com elas, porém, depois as devolve sem machucá-las. Entretanto, para outros não é assim, pelo contrário, essas crianças desaparecem e nunca mais voltam. Há quem afirme que essas crianças poderiam ser manipuladas pelo Espírito da Floresta, depois de morrerem perdidas na extensa área florestal. Mas, segundo os habitantes da floresta, tende a se transformar em qualquer um, com o único desejo de fazer você se perder no meio da mata. Pode aparecer para você transformado em um parente seu, ou em um amigo, ele o leva por caminhos errados, entrando nas profundezas da floresta amazônica, com o objetivo de se perder, abandonado à sua sorte. Para uma criança, o Chullachaqui geralmente aparece como outra criança ou outro companheiro de brincadeira. Sempre com o objetivo de fazê-lo se perder. Essas ações geralmente estão relacionadas ao desaparecimento de crianças que são levadas pelo duende aproveitando-se da negligência de seus pais. Crianças são sequestradas de suas casas ou das roças de seus pais. Em todos os depoimentos, as crianças não são maltratadas, porém, ao serem encontradas pelos socorristas apresentam descontrole em suas atitudes. Posteriormente, as crianças devem ser tratadas por pajés, que eliminam o estado de transe em que permanecem os afetados. A única maneira de descobrir a verdadeira identidade do Espírito da Floresta “Chullachaqui” é olhando para seus pés, pois um de seus pés está deformado e é muito perceptível. Consequentemente, ele tentará esconder os pés. Ao ser descoberto, o Espírito da Floresta “Chullachaqui” escapará para a floresta e desaparecerá. Há quem diga que ele usa algumas cavernas como seu esconderijo preferido e outros dizem que usa a árvore Samaúma para se esconder. A árvore de Samaúma é uma árvore mística que alguns médicos tradicionais usam para seus trabalhos de cura. Algumas testemunhas, principalmente pessoas mais velhas, contam histórias de pessoas que tiveram a oportunidade de conversar com esse ser, em tempos remotos, quando a selva ainda se mantinha virgem e não como se vê atualmente. As referidas conversas diretas correspondiam a exortações ou ameaças que a entidade fazia aos contatados para que não caçassem animais nem cortassem árvores, afirmando-se donos de todos os recursos florestais. Em alguns casos, a entidade foi generosa com algumas das testemunhas e garantiu o aporte de recursos da floresta, ou seja, dependendo do que ele precisasse, ele poderia fornecer produtos de caça abundantes e fáceis, látex de seringa ou "borracha" e árvores de madeira fina que ele poderia aproveitar na floresta. O Espírito da Floresta “Chullachaqui” gosta de maltratar física e psicologicamente suas vítimas, quando elas invadem o que ele considera seu território e se aproveitam do que ele chama de sua propriedade. Segundo essas pessoas, o Espírito da Floresta "Chullachaqui" é excitado pelo desejo de lutar e, quando encontra uma vítima, o desafia para uma luta. Embora esses casos sejam muito raros, há relatos de mulheres que afirmam terem sido violentadas por esse ser enquanto estavam sozinhas na floresta. Existem testemunhos de algumas cozinheiras de acampamentos na floresta, que dizem terem sido agredidas sexualmente pelo Espírito da Floresta “Chullachaqui”. Alguns também garantem que o duende gosta de se apaixonar por algumas mulheres, a ponto de ficar obcecado por elas. Quem afirma ter tido contato com esse ser, direta ou indiretamente, costuma apresentar alguns sintomas após o contato: febre, dor de cabeça, náuseas e desconforto corporal. O Espírito da Floresta "Chullachaqui" ocupa grande parte da crença popular dos habitantes rurais e urbanos da Amazônia. É um ser que adota características do ser humano como luxúria, raiva, egoísmo, obsessão, engano, sequestro, exigência, adulação, paixão e vingança. O Espírito da floresta é um demônio da floresta, também conhecido pelo povo Kokama como Chullachaqui, Tsupai, Ishingo, Shapingo, Shapshico ou Shapishico.
A ɨmɨntsarayara ɨwɨratiawa
ɨwɨratiawa riai ikuawara mania “Churachaki” yay wepe maitsankara chura ɨwata, awatipa kumitsa emete umipupenan kumitsaui mari uri akitamira wepe nuan chapewa pariata mari y+amimi wepe tsitsa katsere, awatipakuara icharika wepe ti arɨwa, nami tsapukanpu ay tsitsatse tururukan. Uri emete aichuwanan ashun wepe metrura ɨwata ay akitamira kepeyuka aitse charu. Amua kumitsa mari uri ukua yamamani ay y+a pɨeta tsupirika. Urian a ɨatira aitsemekatunika, awatipama uri chiramuki, ɨmɨntsarara pɨetamuki: wepe yay awa ay amua animaru, mari amatsɨka pupe ɨtsɨwatsu, tayatsu, puka, atawari niapitsara, amua. Chira “Churachaki” ikian tuwa kaichiru uri mukuika kumitsa kichua: “ch’ullashka”, mari kumitsa “tsupiriwanan tsurin maniaka”. A amua kumitsa yay “Chaquishka”, mari kumitsa “pɨeta”. Mari amatsɨka pupe ikua mania: “Pɨeta tsupiriwanan”. Kukamɨe minu yuriti: Tɨmay+atɨren pɨeta. ɨwɨratiawa kakɨrɨ ta mɨtɨrɨpe yanama ɨwɨrati Amay+uniaka, y+a a chɨmɨra uwakama ya wepe ɨkɨratsen, wepe irua yapitsawara mari y+uti chikuarata tsurin wepe ikuawara ra. Yukan mai y+a chira “Churachaki” yay epewatsu ikuawara ta Amay+uniaka. Ya amua tupakana yay ikuawara riai y+a “tsullashka chaki”, mari kumitsa "wepe pɨeta". Kukamɨe yuriti: wepe pɨeta. Rana kumitsa mari uri y+uriti y+a akɨcha maniapuka ene tsatsatsɨma ta apɨtsakuara y+a, urian yay tseta emete ɨyurun ay wɨka a y+auki ikian. Ramuaka tuy+ukapankana amay+unika, tuwa riai yay ikuawara mania: "Shapshiku" ay "Ishinku". Yakuararaka y+a a ɨmɨntsaranumia Kukamɨe, ta tsapua Tsamuna kakɨrɨ ɨwɨratiawa “Shapshiku” tsurin ɨwɨratiawa tsurin wiju parana. Kumitsa mari ɨwɨratiawa ayuka a tsapua Tsamuna marira kumitsapuka wepe amanawatsu. Y+a kumitsa “Ishinku”, kumitsapu amuakana, mari yay tsawa wawa umanu uwari, amua kumitsa mari tɨma awa ashun yay mari churankɨra mari umanu ɨkɨran wata, kuatiara erapakatun tsurin utsutaka, ay y+a aitsemekatun ukuata ra nin a umanu ay rana ukuatatsen marira amuatsen pewa aipacharikatun. Uri ra chimira raepe muntu uwaka pupe wepe maitsankara, aitse ay kaichiru. Y+ikua, yay katupetsen rana ikua awa mari umi ay utsui umanutapawara ikuachira y+a tsetamuki awanutsu, titikanai ikia intata, akɨchata ay y+auki kaichiru tɨma tsanata tsawitinan atukanamuki. Mania ene ikua a ɨwɨrati amay+unika emete chita tuwa: pupekana tsuparakapa, marira tupapenan katupe kuatiara irua marira y+auki iruanumuki ay yumutsarika y+a ɨkɨratsen marira yuriti titikana ukakuara, urian marira tupapenan riai aitesem aitse ay umanunan maniapuka ra awaɨtsɨkatan y+a amua churankɨra ay yakuararakanan erutsu y+a rana, marira ra iriwatsen wepe rana. ɨwɨratiawa yay tsapiaritsen yatsewara ɨwɨratima, tsapiaratsen tsapiarin ay akɨcha a tapɨy+a ay y+a ramatsekana. Aitseme tupapenan yay uyaritsen tsurin uyaritsentawa a tsupai, amuaka maniamaniakan, ay petsetakaka, y+a emetetsen aitsetsen. Ria, kumitsa marira tɨma yay kuyanan wepe, urian chita. Ramuaka tsapiaritsen amay+unika, tsapiari mari ɨwɨratiawa “Churachaki” ra uwarinan wepe matsetsen mɨtɨri wepe tuwa ay wepe maitsankara, pupeari wepe iruatakanpupe iruataka mɨtɨri wepe tuwa ay wepe maitsankara. Kananan uri katupe marira awatipa ukua titi pekuara tsurin ɨwɨrati. Tsakapɨrɨ a ɨmɨntsaranumia, tupapenan uri ra memuta kuatiara iruatsuika ay tamanatawa yumitamana ɨwɨrati, maritsuika a awa mari tawa tɨma kumitsa a uwarinan ra era tsawatsen; amua tupapenan uri yay uyaruntsui. Urian, naturanan, uri titi uyupetsen ra uyaruntsurin amutsewetatsen awa aitsen, uchayaraminu, maniakaka ay nitsapiari. Kumitsa mari ɨwɨratiawa “Churachaki” muna ɨkɨratsen marira yumutsarika y+a uri, urian riantsui rana iriwata tɨma tutukaka. Urian marira ramua tɨma yay ria, y+a amatura, yukan ɨkɨratsen ukaimapu ay tɨma ashun rana iriwa. Emete awatipa ikuatan mari yukan ɨkɨratsen rana amatsɨka pupe akitamiran y+a ɨwɨratiawa, riantsui rana umanu ukaimawara ɨwɨratikuara. Urian, tsakapɨrɨ awakana ɨwɨrati, amutsewen a ra uwukata ya rama wepe y+a uniku tseta y+auki ene ra ukaima mɨtɨrɨ ɨwɨrati. Amatsɨka katupe marira ene uwaka ya wepe irua y+a, tsurin wepe irua, uri erutsu y+a pe niaitsemeka, akiwa ɨpɨpe ɨwɨrati amay+unika, y+a tsɨritsen ra ukaima, icharin a ra tsawatsen. Marira wepe ɨkɨratsen, Churachaki kananan katupe mania ramua ɨkɨratsen tsurin ramua irua yumatsarika. Tsapa y+a tsɨritsen y+auki ra ukaima. Y+ukan atukana kananan rana y+uti yumutsanin a ukaimapan ɨkɨratsen mari rana erutsu y+a tuwa chɨpɨtsen tɨma aipata rana papakana. ɨkɨratsenkana upiatsen rana uka tsurin kukuara kamatawa rana papa. Ya upi kumitsa, ɨkɨratsen tɨma aitsekapan, urian rana pupe purara y+a utsuepewara memuta ipukua yuritin upanan tɨmamayana. Raepetsui, ɨkɨratsen tseta pupe mutsanara y+a ikuan, mari uchikara yuritin iya timi ya mari chimira iya ɨnta. A uniku riawa umipa a ria chirarata awa ɨwɨratiawa “Churachaki” yay umiari marira ra pɨeta, urian wepe uri ra pɨeta yay aputaka ay aitse umin. Riantsui, uri tsani yamimi pɨeta. A pupe umipa, ɨwɨratiawa “Churachaki” utsuepe marira a ɨwɨrati ay ukaimautsu. Emete awatipa kumitsa mari uri akitamira amua kakuaranɨwata mania ra yamimitupa wawurutsen ay amua kumitsa mari akitamira a ɨwɨra Tsamuna marira ra yamimi. A ɨwɨra Tsamuna yay wepe ɨwɨra mainanimai mari amua rana taita akitamira marira ra kamata mutsanara. Amua utsutsuriwara, ɨatiranan awa ashun wija, kumitsa ɨmɨntsara awa mari rana emete a ukuatanan kumitsa y+a yukan pupe, ya watatsuin ɨmɨnuan, maniapuka a ɨwɨrati yaytsuri aitsemekatun kuniatipain ay tɨma mania aipuka. Chiratan kumitsa yumata tsapiaritsen a tamanatsen tsurin tsani mari a tupa amatsɨka chirarawara marira mari tɨma ipurakari animaru tɨma petsetaka ɨwɨra, kumitsatsen y+arakana upi uyarichiru ɨwɨrati. Ya amua rachaikana, a mai utsui epekawara y+a amua utsutsuriwara ay tapɨtsen yumayarin uyarichiru ɨwɨrati, wɨrɨ, tɨkɨtatsenwa mari uri tsetaui, uri amatsɨkaui yumitsen ɨwɨrɨatsenkana ipurakari chitatsen ay ikuatsen, arichi kai shirinka tsurin "kaitsen" ay ɨwɨra ɨwɨra kuyana mari uri amatsɨkaui akitamiratsen ɨwɨrati. ɨwɨratiawa “Churachaki” ikua eyu intata tsu ay pitsiku umanutapawara, maniapuka rana anarukatsen mari uri tuyukapan ay akitamiratsen mari uri tsapuki ra aitsemekatuka. Tsakapɨrɨ y+ukun awa, ɨwɨratiawa "Churachaki" yay tsawɨru y+a iyara inupaka ay, maniapuka purara wepe umanutapawara, tsapukinan a inupaka. Ria pupe aitse aitsewanan, emete ɨmɨntsara waina mari aiy+akumitsaeram emete aiy+ukuata tɨmatsetamuki yukan pupe rana y+uti tatatupa ɨwɨratikuara. Emete aiy+ainaniai amua iy+uny+aukitara aitsemeka ukakɨranu ɨwɨratikuara, kumitsa emete aiy+ukuata inupapa tɨmatetamuki ɨwɨratiawa “Churachaki”. Amua aiy+ainaniai riai tay+umɨrariai mari tuwa chapunitara ini tsetapan amua waina, katika yuriti tsetamay rana. Awatipa aiy+akumitsaera emetetsuri aiy+akumitsa ɨwɨratiawa, yumata tsupiari tɨmayumata, memuta amua: umanu, tsachi y+akia, uwene ay timiran. ɨwɨratiawa "Churachaki" akipan aitse tsapiaritsen awakana kukapan ay ruairan Amay+uniaka. Yay wepe pupe mari tɨmay+apapai aitsemeka aitsemekatunika pupe awa mania warimata, y+umuratsuri, michapan, tsetamay, ɨra, irutsai, kurikitsetan, y+umitsurin, tsetapan ay tsumurupan. ɨwɨratiawa yay wepe maitsankara ɨwɨrati, riai ikuawara y+a tapɨy+a Kukamɨe mania Churachaki, Tsupai, Ishinku, Shapinku, Shapshiku tsurin Shapishiku.
ɨwɨrati: Floresta, selva, mata. Tuwa: espirito, mãe de algum elemental. Variantes: Awara, Mai, Maitsankara, Tsulla chaki e Tsawa.
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quinta-feira, 16 de março de 2023

Origem da armadilha de piso falso

Antigamente existia muita gente ruim que praticavam a bruxaria, eles viviam fazendo danos às demais pessoas sem causa nenhuma. Isso aconteceu há muitos anos atrás.
Estes bruxos se vingavam das pessoas fazendo sair suas cabeças quando estavam dormindo. Essas cabeças saiam para andar a noites e voltaram quando sentiam que já ia amanhecer.
Porém isso era no principio, já que à medida que iam passando os dias às coisas só pioravam, sendo que essas cabeças faziam de dia o mesmo trajeto, quando saiam a andar e não voltar a grudar em seu corpo. Os quais ficavam dormindo em suas casas.
As cabeças tinham vergonha de fazer ver suas caras que se encontravam cheias de barro por causa de andar rolando pelos lugares de barro no caminho. Por isso, ficavam escondidos, esperando que anoitecesse para voltar a sair da floresta e quando saiam às cabeças zoava: “tolon, tolon, tolon...”.
A gente tinha medo de andar a noite por temor às cabeças. Às vezes quando uma pessoa se encontrava com uma dessas cabeças, tinha que correr porque do contrário se a cabeça o encontrava ou alcançava ficava grudado no ombro daquela pessoa.
A cabeça quando já não voltavam a suas casas, seus corpos ficavam mortos e suas famílias tinham que enterrá-lo.
E assim aconteceu uma noite quando um homem saiu à floresta a buscar carne de caça, se encontrou com uma cabeça. O qual ficou grudado a seu ombro. Por mais esforço que fez o homem não podia escapar-se daquela coisa, o qual o impedia fazer suas obras com facilidade e ao mesmo tempo não deixava comer.
Tudo o que queria comer o homem, tudo os tirava a cabeça. Não o deixavam comer nem um só bocado.
Então, o homem estava ficando fraco, antes de tal situação o homem começou a preocupar-se e às vezes chorava pensando que ia morrer de fraqueza. Porém um dia o homem saiu a buscar a maneira de safar-se da cabeça, de tanto pensar chegou a uma ideia de ir pescar. Então, o homem disse a cabeça: Cabecinha! Espera-me aqui que eu irei pescar sozinho! Quero pescar bastantes peixes para poder comer nós dois juntos! Porque quando pego pouco peixe, você come mais que eu e não deixar nada para mim. Por isso é que estou ficando fraco.
Então a cabeça aceitou o trato dizendo: “então não demores, se demorar eu vou te procurar por todas as partes”. Respondeu o homem: Não te preocupes. Não irei demorar.
E assim foi como a cabeça se despregou do corpo do homem, aquele ao ver-se livre daquela coisa começou a caminhar lentamente com direção ao canto do lago. Entretanto, no cume do lago, a cabeça havia ficado totalmente tomada olhando as lindas plumas dos passarinhos que cantavam lindas melodias no mais alto das copas das árvores.
O homem aproveitando que a cabeça se encontrava descontraída, começou a caminhar rapidamente para o canto do lago com direção ao caminho.
Quando já estava uma boa distancia de onde se encontravam a cabeça, pegou um pedaço de pau e começou a cavar a terra, com uma rapidez incrível que alcançou completar a fundura que deseja fazer.
Logo saiu rapidamente e em seguida começou a colocar gravetos em forma de trempe na boca do buraco, sobre esse lugar colocou folhas de “maranta charuto” e uma capa muito fina de terra misturada com serapilheira.
E assim quando o homem terminou de construir sua armadilha utilizando um tempo muito curto, o qual não o permite a cabeça imagina o que estava fazendo. Uma vez terminado o processo de construção da armadilha, o homem decidiu buscar um lugar próximo ao buraco para poder se esconder e dessa maneira pode observar o que aconteceria com a cabeça quando esta chegasse ao lugar onde estava colocada a armadilha.
Entretanto, no lugar onde se encontrava a cabeça, este começou a caminhar uns metros, cansados de escutar os constantes assobios que faziam os pássaros. Caminhou, caminhou e caminhou impaciente sem poder encontrar o homem, o que se encontrava escondido a uma boa distancia de onde se encontravam a cabeça, entretanto, o tempo passava, sem parar sua marcha e devido isso, a cabeça começou a ficar mais e mais impaciente.
Até que um dado momento, cansado de tanto procurar o homem, a cabeça começou a rolar pelo caminho e ao mesmo tempo gritava: “espera-me, por favor, espera-me”. E assim sucessivamente gritava muitas vezes, enquanto se dirigia inconscientemente rumo à armadilha.
E foi assim, como a cabeça indo muito apressada pelo caminho e sem que se desse de conta, caiu no buraco e a cabeça fez barulho: “pon”.
Desta maneira, foi como nossos antepassados inventaram as armadilhas de piso falso.
Nome em português: Maranta charuto
Nome científico: Calathea lutea
Nome em Kokama: Tapɨta
Utilidade: Serve para fazer pupeca e tamalhe.
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Origem do abano

Antigamente, os Kokama não conheciam como fazer um abano. Ao fazer seus fogos, não sabiam como fazer arder o fogo para poder cozinhar seus alimentos. Como não tinham outra forma de fazer arder o fogo, as mulheres tinham a obrigação de soprar com sua boca e também utilizavam a tampa das panelas de barro.
Também as mulheres utilizavam sua blusa ou seu vestido para fazer arder o fogo. O povo não tinha outra ideia para solucionar este problema.
Como todas estas técnicas não davam bons resultados buscaram logo mudar a forma de fazer arder o fogo. Sentiram-se muito preocupados para solucionar esse problema.
Os homens já praticavam a pesca de diferentes materiais. Um dia, um homem entrou no lago com a ideia de solucionar o problema que sofria sua mulher ao fazer o fogo. Já no lago, o homem começou a pescar, mas sempre pensando observar algo que pudesse copiar, por sorte visgou um pirarucu grande de três peças. Depois de matar o pirarucu, observou e teve a ideia de fabricar um abano olhando as escamas do rabo do pirarucu. Com essa ideia voltou para sua casa levando o pirarucu.
O homem pescador deu a ideia para sua mulher de como fazer o abano. Dirigiu-se até floresta para cortar nervadura central da planta Calatéia Charuto (ɨwɨratin tapɨta) e tirar as fibras. Ai começou a elaborar o tecido do primeiro abano criado pela ideia do pescador. Porém esta ideia não teve bom resultado. O homem se sentiu descontente porque seu trabalho não teve resultado positivo. O abano não durava muito e logo se estragava.
Ao observar o abano que fez para sua esposa não saiu como pensou o homem recapitulou e saiu para a floresta para buscar outro tipo de material que pudesse durar mais. Não encontrou solução na floresta e voltou para casa descontente. Quando se deitou e foi dormir, o espirito conhecido como Shapshico (Shapishiku) aproveitando seu sonho, disse: “Volta por onde tem passado e fixa-te em uma palmeira que tem espinhos em suas folhas e seu talo é pintado de cor preta, marrom e branca. Corta no cerne e veras que será resistente para tecer abano”.
De manhã, o homem ao se lembrar do sonho, sem dizer nada a sua esposa, pegou seu facão e seu remo para ir a floresta corta a cerne da palmeira que ele não conhecia.
Ao começar a caminhada, queria reconhecer a palmeira que o Sapshico o havia mencionado em seu sonho. Avançou um trecho e olhou para um lado do caminho. Ai viu a palmeira e o reconheceu como palmeira chamada Javari (wiririma). Alegre voltou a sua casa e deu a sua mulher os materiais para que trabalhe com suas instruções para fazer um abano com formato do rabo do pirarucu.
Então, a mulher começou a elaborar o abano. Teceu como fez o primeiro e saiu muito bem, não duvidou que seu trabalho fosse bom. Desse momento em diante as mulheres tiveram como fazer arder o fogo e já não sofrem em fazer ferver a água de suas panelas (yukuchi). Foi um avanço a mais para o povo Kokama.
1. Existem grande variedades de seres espirituais da floresta, benignos e malignos, o Shapshico é uma espécie que personifica os espíritos da selva, é de pequena estatura, corpo alongado de cor vermelha, com dois chifres pequenos e rabo de bode, características semelhantes às do fauno da mitologia do velho mundo. O shapshico, é um ser que habita a imensurável floresta amazônica convivendo com a fauna, manifesta-se no plano físico para poder cometer feitos, sem distinguir suas vítimas, causando espasmos, vômitos e desmaios, apenas com sua presença, a fim de poder roubar, insultar e até matar seres vivos (animais pequenos ou pessoas) que vão a lugares remotos dentro da selva. Na época da invasão europeia representava um perigo terrível para os primeiros colonizadores, porém, este espirito é vulnerável no plano físico, por isso foi objeto de caçadas infernais e hoje está quase extinto.
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Origem da menstruação

Antigamente, em uma aldeia, vivia uma família com dois filhos. Em certa noite os sapos cantavam incansavelmente dizendo “curu-curu”, que quer dizer algo vai acontecer.
Porém passaram dias e noites e não aconteceu nada.
Uma tarde, o mais velho quis ir visitar uma casa. A filha mais velha daquela casa bateu caiçuma e brindou ao visitante em uma mocagua para tomar. Porém a taça de barro ficou muito pesada.
Veio mais gente e não puderam acabar a caiçuma da pequena mocagua pesada. Todos se encheram de tanto tomar caiçuma. Logo a menina convidou a seu pai e ele viu que da testa de sua filha caia uma gota de sangue, que havia pingado na mocagua de caiçuma.
O pai não disse nada. Devolveu a mocagua a filha e depois de tomar caiçuma todos voltaram a suas casas. À noite a árvore de chuchuhuashi fez sonhar o pai da menina e disse: Constrói uma casa grande e anuncia uma importante festa.
Tua filha agora é mulher porque virá seu sangue em cada lua. Isso será assim a partir de hoje, quando eu derramar qualquer dia em cada mulher e dessa maneira começará em outras mulheres jovens a menstruação.
O pai fez tudo o que disse a árvore de chuchuhuashi em seu sonho. Quando esteve tudo pronto, o avô da mulher ordenou convidar todos os Kokama do povo para ver o grande feito. Todos os convidados foram a casa.
Reunidos na noite o mais velho mandou cantar cantos de alegria. O avô pegou uma mocagua cheia de suco de shushuhuashi e derramou em cima de umas folhas de coca torrada e amassada dizendo: este é o sangue que irão derramar todas as mulheres a partir de hoje.
Logo a menina saiu do quarto onde estava escondida e detrás dela saíram varias mulherzinhas. Uma delas estava nua e tinha o corpo pintado de vermelho com sangue menstrual desde a cintura até a metade da perna como se fosse um vestido.
Todos se sentaram no centro da casa. A menina nua disse: “Somos mulheres do povo Kokama, de sangue, corpo e alma. Derramaremos o sangue toda vez quando a lua se mover de lugar. Não teremos dores fortes, não cairá bastante, não iremos morrer.
É um aviso que já estamos aptas para ter filhos e cada vez que uma mulher comece a ter o corpo novo para ser mãe, façam dietar por oito dias. Queiram suas filhas, cuidem bem delas quando são pequenas porque o chuchuhuashi assim nos ensinou”.
Assim pela primeira vez se conheceu a menstruação no povo Kokama. Desde esse dia fazem festa da primeira menstruação, festa da moça nova e faz dietar as mulheres por oito dias.
Por isso, como de costume, quando a menina menstrua pela primeira vez, deve ser colocada em uma rede que esta amarrada no oitão da casa, onde ficará dentro até que acabe a menstruação e só poderá ser cuidadas pelas mulheres, mãe e avó.
Lá dentro da rede ela será alimentada, asseada e feita suas necessidades fisiológicas.
No final da menstruação é feita uma grande festa. Para iniciar a festa, as mulheres levam a moça que esta pintada na parte de cima de jenipapo e parte de baixo de urucum, ficará igual uma semente de tento, totalmente nua, que será levada ao igarapé ou rio para ser lavada pelas mulheres, sem a presença de homem, então veste uma roupa tradicional a moça nova que será apresentada para a comunidade.
Por isso, quando a mulher esta menstruada não pode dormir ao lado do esposo e nem ter relações sexuais, porque vai atrair azar ao marido ou ao homem que encostá-la. Se mulher menstruada ficar no ritual de ayahuasca deixará todo mundo sofrendo vomitando muito. Por isso, a mulher menstruada deve evitar encostar-se a homem algum ou cumprimentar um homem com as mãos.
Chuchuhuashi; Chuchuacha
Nome em Kokama: Chuchawasha
Nome científico: Maytenus laevis, Maytenus macrocarpa.
Tento vermelho-preto
Nome em Kokama: Tentu tururuka tsuni
Nome científico: Ormosia arborea
Nota: A jovem Kokama que menstrua pela primeira vez se pinta e fica igual uma semente de tento. Durante o período da menstruação as mulheres mais velhas da casa pinta a jovem da ponta dos seios até os pés de jenipapo e da ponta dos seios para cima de urucum. Todo asseio da mulher jovem é na rede, onde dieta na rede, faz as necessidades na rede e é cuidada na rede sem poder descer. No dia que acaba a menstruação ela é levada para o rio para ser lavada pelas mulheres, enquanto cantam icaros de sorte e proteção. Depois ela vesta a roupa de festa, onde será apresentada a aldeia. Durante o tempo na rede as mulheres fizeram muitas tranças e seus cabelos, durante a festa da dança da menstruação e cortam as três tranças da nuca da jovem, a trança do meio é presenteada aos padrinhos. No período de menstruação a energia espiritual da mulher fica muito forte, por isso não pode ser vista e nem encostar-se a homem nenhum, se não ela tira toda sorte do homem.
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O homem que se transformava em garça

Contam nossos antepassados que antigamente os Kokama não eram pescadores. Tinham muitas dificuldades para pescar.
Certo dia, chegou um homem a pequena aldeia para pedir hospedagem e como se aproximava o entardecer decidiu ficar na primeira casa que encontrou da pequena aldeia.
O dono da casa tinha 3 filhas e um filho, todos jovens. O homem visitante notava que na pequena aldeia era escassos peixes. Perguntou: “onde fica o lago?” E como em pouco tempo se fez conhecido, a gente o deu informação.
Um bom dia, o homem foi pescar e voltou muito cedo trazendo bastantes peixes. As pessoas se surpreenderam porque ninguém deles podia pescar tanto peixes em tão pouco tempo.
A este homem tiveram muito apreço, tanto assim, que o dono da casa onde morava o entregou logo uma de suas filhas. Muitas pessoas queriam segui-lo para ver como ele pescava, porém ele sempre negava.
Em varias oportunidades enganou varias gentes dizendo que o chamaria para ir pescar. No entanto, ele saia primeiro sem chamar ninguém.
Como notavam um pouco estranho o comportamento do pescador, seu cunhado seguiu as suas pegadas. Um dia se surpreendeu ao vê-lo pescando transformado em uma garça.
Ao voltar para sua casa, o cunhado contou a sua irmã: “teu marido é uma garça, por isso, quando sai para pescar traz bastantes peixes”.
Efetivamente, ao voltar para sua casa, o pescador trouxe bastante peixe, porém como sua mulher estava bastante com raiva com o feito dali.
Nesse momento, o homem se transformou completamente em garça e se foi embora viver longe.
Deus o amaldiçoou por ter havido negado a ensinar a pescaria aos demais homens, enfim, como seu cunhado havia visto como pescava, ensinou aos demais como fazer a pescaria.
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Aparição de Deus na terra

Conta os antigos, que um dia em uma aldeia apareceu um cachorro doente, com muitas feridas no corpo. Ao vê-lo tão doente as pessoas não queriam acolhê-lo e nem queria que estivesse na aldeia.
Como todo animal, o cachorro entrava em qualquer casa onde encontrava a porta aberta. Entrou em uma casa, o dono da casa o bateu e o jogou para fora. O cachorro saiu correndo e entrou em outra casa, porém o dono fez o mesmo, o bateu e o jogou para fora.
De igual maneira, o cachorro saiu correndo. Em toda aldeia sempre existe pessoas boas e ruins. O cachorro seguiu caminhando e a gente que o encontrava no caminho dizia: “Que cachorro tão doente”.
Ninguém queria se aproximar pelo mau cheiro que tinha. Depois o cachorro entrou em outra casa, ai vivia uma senhora que tinha duas filhas, senhoritas muito bonitas, uma dos quais se encontrava na casa no momento e a outra havia ido à roça com a mãe.
Ao ver o cachorro entrar na casa, a filha que havia ficado na casa se assustou, porém olhou o cachorro e o acolheu. Logo deu banho, lavou suas feridas, o curou e deu de comer. Para que sua mãe não se zangasse, a menina escondeu debaixo de sua cama.
Chegou a noite e todos foram dormir. Ao amanhecer o dia a menina procurou o cachorro e não o encontrou. Pensou que alguém o havia jogado fora ou matado, porque havia desaparecido.
Passaram 3 dias e chegou a aldeia um jovem nobre e sincero, com barbas compridas. Chegou à casa da menina e perguntou das irmãs quem foi que curou o cachorro? As irmãs se assustaram e uma delas disse: “eu dei banho e curei um cachorro”. O jovem o respondeu: “Eu era esse cachorro a quem curaste”.
Então, convidou a menina para ir morar com ele. Pegou a menina, embarcaram em uma canoa e se foram.
O cachorro era Deus. Deus havia se convertido em cachorro fraco, com feridas em seu corpo para ver quem o curava e se havia pessoas boas e ruins no mundo.
Katupe Tiutsu tuy+ukakuara
ɨmɨntsara ɨmɨnankana, mari wepe kuarachi ya wepe ritamakuara katupetsuri wepe y+awara aikua, y+a chita y+apitsa tsukuara. A umi aitse aikua awakana tɨma tseta rana tawa ay ni tseta mari y+uti ritamakuara.
Maniaka upi animaru, y+awara aki ramaka uka maka tsawitika a y+akɨna epeka. Akiui ya wepe uka, yara uka ayukaui ay y+a itikaui mariratsui. Y+awara uchima y+apanawa ay akiui ramua uka, iy+an yara y+auki tsupiri, ayukaui ay y+a itikaui mariratsui.
Ikiaka, y+awara uchima yapananpu. Upi ritamakuara tsapa emete awakana era ay aitse. Y+awara chikuarata uwatawa ay y+a awa mari purara pekuara kumitsa: “Mari y+awara aitseme aikua”. Nin awa tseta pɨrita y+a ipitiu mari emetui.
Riantsui y+awara akiui amua uka, ay kakɨrɨtsuri wepe tsinura mari emete mukuika tairakana, kuniati rana aitse erapaka, wepe makatin purara uka aipuka ay y+a amua emete utsu ku y+a mama.
A umi y+awara aki ukakuara, a taira mari emete y+uriti ukakuara ɨtse, y+awɨrɨ umiui y+awara ay y+a tawaui. Riantsui y+umiui y+atsuka, tsukuta ra y+apitsa, mutsanaraui ay y+umi ey+umira.
Marira ra mama tɨma y+umɨra, a kuniatitsuri y+amimi tuy+uka arɨwa ra kama. Y+awachima a ɨpɨtsa ay upi rana utsu ukɨrɨ. A kanata kuarachi a kuniati chikariui y+awara ay tɨma puraraui. Ikuakaui mari awa emeteui itikatsui tsurin umanuta, marira emeteui ukaima.
Ukuata mutsapɨrɨka kuarachi ay y+awachima a ritamakuara wepe kunumi erapakatun ay era, y+a muta ipuku. Y+awachimaui a uka kuniati ay piyataui kuniakana awatipa utsui mari mutsanaraui y+awara? Kuniakana ɨtseta rana ay wepe ra kumitsa: “tsa y+umiui y+atsuka ay mutsanaraui wepe y+awara”. Kunumi tsawitiui: “Ta pupeui yukan y+awara a awatipa mutsanaka”.
Raepe, paritsara a kuniati marira utsu kakɨrɨ y+a ra. Y+apichika a kuniati, uwarita rana wepe ɨara ay utsu.
Y+awara yay Tiutsu. Tiutsu emete uwaka y+awara aitse, y+apitsamuki ra tsu marira umi awatipa mutsanaka ay emeteui awakana era ay itsen muntukuara.
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quarta-feira, 15 de março de 2023

Origem dos irmãos estrelas sete cabrinhas

No tempo em que Deus andava na terra, havia uma jovem Kokama mãe que tinha sete filhos, ela não era uma boa mãe, ficava balançando preguiçosamente os filhos na rede em vez de cuidar bem deles. Quem cuidava das crianças era a avó que fazia comida, abrigava e agasalhava os netos.
Um dia a anciã morreu e os meninos ficaram abandonados. A avó de tanto ser amorosa com as crianças se transformou em jiboia preta.
Então, o mais velho dos irmãos procurava comida, frutas, raízes e peixes, mas ele ainda era pequeno demais e nem sempre encontrava comida suficiente para todos os irmãos, que quando não encontrava nada para comer, ele trazia folha de coca para seus irmãos mastigar para suportar a fome.
Quando não suportavam mais, choravam de fome, a mãe os enganava com alguns chás.
Numa certa noite já estavam muito fraquinhos, porque não comiam nada, já sem forças para chorar quando o irmão mais velho disse: “irmãos vamos fugir para o céu, lá nos teremos comida em abundancia”.
Nesse momento passava uma brisa que soprou e foi levantando eles e levando para o céu os sete irmãos.
Quando a mãe acordou, procurou os meninos, não vendo os filhos começou chamar por eles. Ela olhou e viu que eles já estavam subindo altos. Então eles disseram para a mãe: “estamos indo para o céu, lá teremos comida em abundancia, não se preocupe mais conosco”.
A mãe aflita e arrependida gritava e chorava: “Meus filhos voltem!!!”
Era tarde demais, os irmãos já estavam tão altos que viraram estrelas. E começaram a brilhar no céu. Porque os meninos eram filho de Deus com a mulher.
Agora todos nós conhecemos as crianças estrelas como “Sete cabrinhas” e de lá do céu eles ajudam o povo Kokama a ter sorte na vida e abundancia na colheita.
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Origem da planta Kuremaka

Antigamente, vivia uma mulher chamada Kurima, junto com seus filhos os Kuki. Ela era uma especialista em fazer pupeca, tamalhe e moqueado de peixe que seus filhos conhecidos como kuki os traziam da pescaria. A mulher chamada Kurima só se preocupava todos os dias pela alimentação de seus filhos. Era uma viúva que esperava tudo de seus filhos.
Diariamente os kuki trabalhavam carregando lenha e peixes. A mãe não sabia fazer outras coisas há não ser pupeca de peixe. Todos os dias só dava pupeca para os filhos comer. Um dia seus filhos foram caçar e mataram um veado. Trouxeram o veado para casa e exigiram que sua mãe preparasse outro tipo de comida.
A mulher chorou muito ao ver o animal, porque não sabia como preparar a comida feito com carne de veado. Seus filhos com fome não sabiam o que estava acontecendo com sua mãe, até que se deram de conta que ela não sabia fazer a comida do animal.
Zangaram-se com ela e não quiseram ir pescar para castiga-la. Apesar disso a mulher conseguia pescar sozinha e não dava comida a seus filhos. Não resistindo à necessidade, seus filhos decidiram ir pela segunda vez pescar e trouxeram bastante quantidade de peixes. Isso alegrou a mulher, que dançando, cantando e rindo foi preparar pupeca em grande quantidade.
Ela escolhia as melhores pupeca e as escondia, deixando as pequenas pupeca para seus filhos comerem. Eles estavam muito descontentes com a pupeca porque não tinha gosto de comida, então, eles começaram a enfraquecer e ficaram com a cabeça grande, com pernas e braços finos. Porém, como sempre, foram trabalhar.
Chegou o tempo em que os kuki estavam muito cansados de sua mãe e descontentes porque às vezes não os dava comida.
Viviam muito sofridos. Cada vez eram mais escravos de sua mãe. Ela os ordenava que consertasse a casa, a renovar as madeiras e o teto.
Por fim, ao voltar da floresta, ao meio caminho, se converteram em formigas saúva-limão (Kuki) e voltaram para casa carregando folhas e madeiras. Para que sua mãe desse de conta de suas presenças começaram a morder ela por todo o corpo. A mulher corria, saltava, gritava e com desespero se transformou em uma planta, pensando que seus filhos os formigas saúva-limão (Kuki) não iam atacar.
Porém aconteceu ao contrario e eles acabaram comendo a planta. O vestido da mulher se transformou em filhos da planta, suas tranças em flor, seu sangue em resina, suas pernas e braços em talos e por ultimo seus pêlos a raiz.
Depois de transformasse em planta que hoje conhecemos como Alpínia (kuremaka), a mulher vivia nela dando vida, se tornou a mãe da planta.
Aconteceu um dia, que um homem caçador encontrou a planta pelo cheiro que possuía. Como não tinha mulher, o homem disse: “Tanto cheiro tem essa planta! Como não é uma mulher!” Dizendo assim a deixou.
No dia seguinte, o caçador encontrou uma mulher em pé entre a planta Alpínia (kuremaka), que o disse: “Se você tanto me precisa! Estou aqui!” O homem respondeu: “Quem é você?” Disse ela: “me chamo Kurima”. Então, o homem a fez dela sua esposa e começaram a conviver juntos.
Por muito tempo o caçador vivia com a mulher Alpínia (kuremaka), o adulava porque sabia preparar gostosas pupecas.
Até que se cansou de tanto comer todo o tempo à mesma coisa. O homem se deu conta que sua mulher comia a folha da planta e era muito gulosa.
Um dia o caçador a encontrou comendo folha da planta transformada em um grande tapurú. Chamou ela e disse: “você não sabe preparar pupeca, é uma mulher manamishqui e uma gulosa”.
Isso deu bastante vergonha à mulher Alpínia (kuremaka), que respondeu: “hoje sim vou embora de vez. Se não me queres mais. Como sou uma mulher manamishqui e você não me queres. Sempre me encontraras na planta Alpínia (kuremaka), porque eu fui uma mulher que sabe preparar pupeca”. Então, o caçador matou o tapurú e encontrou dentro de sua barriga uma pupeca. E a mulher desapareceu para sempre.
Por isso na atualidade as mulheres Kokama pegam as folhas de Alpínia para preparar sua pupeca e pedem a mulher dona da planta para que sua pupeca seja saborosa. A mulher Alpínia (kuremaka), deixou este conhecimento às mulheres Kokama.
Nome popular: Alpínia.
Nome Kokama: kuremaka, variante: Kurimaka
Nome científico: Renealmia alpinia (Rottb.) Maas
Família: Zingiberaceae
Forma de vida: Erva rizomatosa
Nome popular: formiga-mandioca e saúva-limão.
Nome Kokama: Kuki
Nome científico: Atta sexdens
Manamishqui: Sem açúcar. Palavra quéchua, composta de “manan”: “não” e de “mishqui”: açúcar.
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Origem do trovão e raio

Certa vez, seis caçadores que acostumavam caçar juntos animais da floresta, programaram sair por uns quinze dias. Para isso se preparam bem e começaram a viagem. No trajeto iam conversando sobre as viagens anteriores que haviam feito. Os viajantes foram dormir no lugar aonde chegaram ao entardecer e no dia pela madrugada se levantavam para seguir viajando até chegar ao lugar desejado.
Quando chegou ao lugar chamado “salva-vidas”, os caçadores se dispersaram de dois em dois para ir caçar. Quando voltaram ao acampamento se deram de conta que todas suas coisas estavam feitas e arrumadas. Encontraram a comida preparada, sua roupas lavadas, a carne defumada, sobretudo havia folhas de urucum e carás comidas e folhas caídas juntas.
Ao principio não se deram de conta. Pensavam que algum deles fazia a comida ao voltar primeira da caçada. Porém deram de conta no dia seguinte quando se colocaram de acordo para preparar uma sopa de carne com macaxeira.
Ao voltar depois de três dias se encontraram com a surpresa que a comida que havia não era o que havia combinado senão que era a mesma que haviam comido no dia anterior, que era pango de carne com macaxeira e banana.
Os caçadores se perguntaram entre eles quem havia preparado a comida e por que não havia feito à sopa. Entre eles se diziam “eu não fui”, “nem eu” e ao final descobriram que as coisas que encontravam não preparar nenhum deles. Também se deram conta que as folhas de urucum permaneciam comidas e que não havia folhas caídas de carás debaixo do tronco.
Decidiram descobrir e capturar quem preparava tudo. Conversaram entre si e se colocaram de acordo em subir na árvore mais alta mais próxima do acampamento. Assim poderiam observar até lá embaixo e ver quem ajudava o acampamento.
De repente, vieram um grupo de mulheres de pele brancas, loiras, altas e bem vestidas que nunca em suas vidas haviam visto, quem com suas bolsas de tucum que chamamos de “jikra” caminhavam pela floresta dirigindo-se até o acampamento. Quando chegaram começaram a preparar a comida, a lavar a roupa dos caçadores, a defumar a carne crua que havia em cima do tablado que chamamos de “pari” e ao final balançaram o tronco de urucum e tiram folhas de carás. Enquanto elas faziam as coisas, os caçadores pensavam como capturar elas para levá-las e fazê-las suas mulheres.
Porém, três deles tinham esposas e os outros três não. Então, disseram: “vamos baixar sem fazer ruídos. Uma vez que baixemos todos corremos cercando até captura-las para que sejam nossas mulheres”. Enquanto corriam um deles dizia: “vamos capturar elas para que sejam nossas mulheres e assim deixamos a mulher que temos em casa”.
Assim começaram a lutar com as mulheres. Cada caçador capturou uma mulher e as demais correram. As mulheres capturadas diziam: “soltem-nos, por favor, nos deixem voltar a nossa casa. Nós somos de longe, nossos pais vão se preocupar muitos com a gente e vão vir nos procurar”.
As mulheres fizeram de tudo o possível para escapar dos caçadores, porém não conseguiram. Então começaram a se transformar em animais, como cobras, lagartos pretos, onças, fantasmas e outros animais. Os caçadores não suportaram mais e as deixaram ir convertida em animais. Porém um não quis soltar a mulher por mais que ela se convertesse em todo tipo de animais para dar medo ao caçador.
Chegou um momento que a mulher se tranquilizou. Compadeceu-se e aceitou ficar como mulher de caçador. Os demais ficaram admirados e se perguntavam como seu companheiro havia conseguido aguentar tudo e agora contava com uma mulher a seu lado. Assim diziam eles ao ver a mulher atendendo a seu marido tranquilamente.
Depois, os caçadores voltaram a suas casas levando carne de caça que tinham caçado, alguns tristes e outros mais alegres. Quando chegaram a sua aldeia contaram o que os havia acontecido na floresta e todos se surpreenderam ao escutar o relato. Um chegou com sua mulher da floresta, apresentou a sua família e se separou do grupo para servir a sua mulher.
A companheira vivia na casa com os pais do homem caçador. Fez sua roça de batata-doce, cará, macaxeira e outros plantios. Depois de ter sua roça, a mulher acostumava juntar as folhas secas de batata-doce e cará. Amontoava o lixo em um canto em seu pátio e não a jogava, ficava parecido um ninho.
Um dia a sogra da mulher disse: “jogarei todo esse lixo que juntou minha nora, enquanto ela estar em sua roça” e assim o fez.
De repente a nora começou a sentir dor nos seios quando estava cultivando junto com seu marido. E disse: “vou voltar para casa e irei ver meus filhos”. A mulher não esperou mais seu marido. Começou a caminhar em direção a casa da sogra. E o marido foi atrás dela. Quando chegou ao pátio saíram duas crianças chorando e se foram até sua mãe. Havia saindo do barranco onde a sogra os havia jogado como lixo.
Então a mulher disse: “Até aqui já deu minha vida contigo, pois sua mãe jogou os meus filhos, porque não os queres e não me quer também. É melhor que vamos embora”. Logo a mulher deu um forte assobio e baixou o arco-íris para buscar ela. O homem surpreendido se colocou a chorar suplicando que não o deixe, que ele amava muito os seus filhos. Ela o perguntou pela ultima vez: “Vem comigo ou fica? Porque já vamos para sempre”. O homem não se atreveu a subir no arco-íris. A sogra também suplicava entre prantos para que não se fossem, porém a mulher não quis mais ficar.
A mulher assobiou novamente e o arco-íris se elevou e despareceu da terra. O homem decepcionado ficou sem saber o que fazer, pois havia ficado com raiva de sua mãe. Então decidiu ir a floresta para ver se poderia encontrar a sua mulher.
De tanto caminhar se encontrou com um caçador que estava escutando um macaco para caçar. Este o disse: “Será que mato?” O pobre homem respondeu: “melhor não! Está só, deixá-lo em paz, não o mate”. O caçador se compadeceu e não o matou e seguiu caminhando. Depois o homem decepcionado escutou uma voz que o chamava. Era o macaco que se aproximou e disse: “Obrigado por ter me salvado da morte, eu te ajudarei a encontrar a tua mulher”.
Quando escutou as palavras do macaco, o homem se assustou, porém no final o agradeceu pela sua ajuda.
O macaco deu varinha mágica de galho da árvore de Manduvi e lhe disse: “vai rápido direito, sem dobrar para outro lado, porque tua mulher esta por aí voltando de sua roça junto com teus filhos. Com esta varinha aponta até o cipó de sua cesta e quando o fizer o alcançarás”. O homem não esperou nada mais e começou a caminhar. Quando caminhou boa distancia parou e olhou para adiante. Viu a mulher carregando sua cesta com macaxeira e banana e atrás dela o seus filhos, um menino e uma menina.
Então, o homem fez o que o macaco o havia ensinado e assim alcançou a mulher com seus filhos. Ao ver a seu pai, as crianças se alegraram muito e também a mãe. Perguntaram como havia chegado e porque havia vindo e o homem disse: “eu vim pelos meus filhos, quero servi-los, ademais quero que estejamos juntos e tenhamos uma casa feliz”. A mulher disse: “bom, espera um momento aqui, que eu irei até a minha casa e conversarei com minha mãe para ver como você poderá chegar até minha casa, porque meu pai é bem raivoso e pode fazer que os animais que cria no pasto, jacarés e tigres te comam”.
Logo a mãe dos meninos foi conversar com sua mãe. A sogra se compadeceu e disse: “traz ele rápido antes que seu pai volte do campo. Vamos esconder ele dentro do pote de barro maior que temos porque agorinha mesmo chega teu pai”.
A mulher foi correndo e trouxe o seu marido para escondê-lo. Quando passou por um lugar onde estavam os animais ferozes o homem se tremia, porque estes o seguiam, querendo comê-los. Apenas chegou a casa, o meteram no pote de barro. Tão logo que chegou o pai da mulher, ficou com raiva porque encontrou desordem na sua casa e não o deram a sua comida a tempo. Ademais ele sentiu cheiro de carne humana.
O pai era alto, gordo, negro e raivoso. Quando foi comer não suportava o cheiro que emanava do homem que estava escondido. O pai perguntava: “quem é? onde está? quero vê-lo, aparece, se apresente nesse momento”. O homem que estava escondido tremia de medo.
Depois de tentar enganá-lo o dono da casa tanto a sogra como a filha o disseram a verdade. Então o pai pediu que tirasse o homem do esconderijo. A mulher destampou o pote de barro e o tirou de dentro.
Logo o sogro perguntou ao homem: “quer criar teus filhos?” Ele respondeu: “Sim”. Então o sogro disse: “Porém para que você fique com minha filha e possa criar a teus filhos tem que passar agora mesmo por umas provas se é verdadeiramente macho e resistente”.
O sogro disse: vai ao campo e traz três veados. O homem respondeu: “sim vou trazer”. A mulher em um descuido do velho o ensinou seu marido que não eram verdadeiros veados, se não os talos de batata taioba que crescia entre as cepas de canas. O homem foi correndo, conseguiu as batatas e as entregou a seu sogro. Este olhou e o agradeceu por haver cumprido o pedido.
Depois o sogro disse: “te farei mais provas. Agora trás duas cobras grandes”. Novamente a mulher ensinou seu marido que eram cipós que crescem nos paus brancos e grossos: “disso trás dois pedaços grandes e entrega a meu pai”, disse a mulher escondida em um lugar. O homem foi rapidamente e cumpriu com a segunda prova.
A terceira prova era mais pesada. O sogro disse que consiga dois camburões grandes e suba até a ponta de uma montanha para soltá-los. Disse que primeira solte um, antes de soltar o outro, entre dentro e se jogar junto com ele. Porém a mulher o disse ao marido que não o fizesse se jogasse junto e sim só solte os camburões. O homem aceitou a prova e conseguiu os dois camburões e se foi a montanha junto com o velho para soltar os camburões.
O velho perguntou se estava preparado e soltou uma pedra que tinha em sua mão. O homem soltou os camburões que soava muito forte quando rolavam, porém ele não se jogou junto desde a ponta da montanha. Quando voltaram para casa, o velho o disse: “agora pode fazer tua casa, porém não remova as pedras e os camburões daí onde estão. Aí criarás os teus filhos e servirás a tua esposa para sempre”.
Porém o homem esqueceu-se dos conselhos do seu sogro e despedaçou as pedras e removeu os camburões. Rapidamente o sogro foi visitar a casa da filha e se zangou com seu genro e armarram uma briga, brigando com as pedras e camburões. Brigando, brigando, subiram até chegar à ponta da montanha, então os dois caíram juntos com os camburões e rebolaram até que se transformaram em trovão e nunca voltaram a serem pessoas.
Por isso que hoje em dia existe o trovão e o relâmpago. O mais forte que deixou surdo a muitos é o sogro e o mais moderado é o genro. Já os raios são as mulheres viúvas que buscam seus maridos entre as pedras fazendo chispas com estes para vê-los e encontrá-los, pois eles andavam buscando dia e noite e quiçá até agora os continuam procurando.
URUCUM
Nome científico: Bixa orellana.
Nome em Kokama: ruku.
CARÁ
Nome científico: Dioscorea trífida.
Nome em Kokama: kara.
BATATA-DOCE
Nome científico: Ipomoea batatas
Nome em Kokama: itika
MANDUVI
Nome científico: Sterculia apetala.
Nome em Kokama: ɨwɨturana
TUCUM
Nome científico: Astrocaryum chambira.
Nome em Kokama: tuku.
BATATA TAIOBA
Nome científico: Xanthosoma sagittifolium.
Nome em Kokama: WITINA
Pari: tablado, churrasqueira, parecido um piso que conhecemos como “paiol”. É feito de paus de tacana, paxiúba, etc. Pari é toda essa construção cuja função é manter, por exemplo, o churrasco em uma cozinha, o tablado de uma canoa, o tablado que se montam para secagem de grãos, o piso (quadro de madeira) em cima de uma árvore para observar e caçar animais, etc.
Jikra: Bolsa de tecido de fibras de tucum.
Mauta: cântaro, jarra, jarro de barro, pote grande de barro no qual as bebidas são preparadas e conservadas em grandes quantidades, por exemplo, chicha, caiçuma e etc. O seu interior é envernizado com breu natural para torná-lo à prova d'água. No Hoje em dia poucas pessoas usam “mauta”, eles foram substituídos por jarros de alumínio ou baldes de plástico.
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Origem do cultivo de milho e mandioca

Antigamente, quando o Deus vivia na terra, caminhava por todas as partes castigando a quem o desobedecia. Uma vez chegou onde estava um homem Kokama fazendo sua roça e perguntou: “o que faz?” O homem responder assustado: “estou fazendo minha roça”.
Perguntou de novo: “o que vai plantar?” O homem respondeu: “vou plantar pedras”. Depois desse momento Deus se despediu do homem. No dia seguinte, quando o homem votou a sua roça, se assustou ao ver que sua roça estava cheia de pedras, como havia dito a Deus.
Esse homem ainda não conhecia Deus. Ao ver que sua roça estava cheia de pedras, pensou e disse: “porque eu disse aquilo? Em outra oportunidade vou dizer outra coisa”.
Novamente Deus encontrou o homem que estava tirando as pedras da sua roça e perguntou: “O que vai semear depois de tirar as pedras?” E o homem respondeu: “vou plantar milho”.
No dia seguinte, quando voltou a sua roça, o homem encontrou um grande milharal e agradeceu a Deus pelo que deu a sua roça.
Certa noite, Deus fez sonhar o homem, que deveria retirar todas as ervas daninhas de seu milharal duas vezes, até secar, que deveria cuidar dos animais, colher e semear novamente, fazendo buracos na terra usando um tacape e que em cada buraco deveria colocar de três a quatro grãos de milho. Logo disse: “Deve ensinar a teus filhos a semear e a cultivar milho e outras plantas que agora se planta na roça”.
Mas o homem esqueceu-se de semear conforme Deus havia ensinado. Um dia a filha do homem chamada Mani morreu do nada, então a menina foi enterrada dentro da casa. Na noite seguinte o homem teve um sonho, Deus falou que levou sua filha por desobediência do homem. Mas que ela iria permanecer no meio deles como uma planta, que ele deveria semear através de talos dentro de um buraco, para isso fazer uma grande roça fora de casa e aprender a obedecer a Deus, da raiz da planta você vai fazer farinha, beijú e uma bebida chamada pajuarú.
Quando amanheceu o dia, ele olhou onde havia enterrado a sua filha, lá havia uma planta. Dai nasceu à mandioca. Lembrou-se de tudo que foi dito em sonho. Logo cortou a planta, dividiu os talos e foi semear conforme Deus lhe havia ensinado. Da planta tinha batatas e colheu, sevou conforme orientado para fazer a farinha, tirou a goma para fazer beiju, farinha de tapioca e também fez o pajuarú.
Deus apareceu novamente, já em sua casa e Disse que ele deveria semear milho e plantar mandioca para se alimentar conforme foi ensinado, dessa vez sem desobedecer a Deus. Assim, Deus ensinou homem e deu outros conhecimentos, subiu ao céu e desde lá ajuda a criar e dar frutos de milho, mandioca e outras plantas.
MILHO
Nome científico: Zea mays.
Nome em Kokama: Awati.
MANDIOCA
Nome científico: Manihot brachyloba.
Nome em Kokama: Maniaka ou Maniuka
MACAXEIRA
Nome científico: Manihot esculenta.
Nome em Kokama: Yawiri ou Y+awiri
TACAPE
Nome em Kokama: Takari.
Uso: Usado um bastão longo de madeira que, dependendo do bastão utilizado, pode ser fino ou grosso. Serve para fazer buracos no chão e semear sementes. Outro variante de tacape é o “murukata” que é uma alavanca de madeira, usada para fazer buracos no chão e também para extrair coisas da terra.
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Origem das plantas Cipó-mariri e Castanha-de-macaco

Antigamente no povo Kokama, existiam homens muito sábios que dominavam os conhecimentos dos animais da terra, do ar, da água e de toda a floresta, por meio de seus poderes. Os bruxos bons curavam enfermidades, ensinavam a tecer, a cantar, a cerâmica, a fazer roças, a fazer canoas, a plantar às hortas e muitas outras coisas mais.
Entre os bruxos haviam dois irmãos que sabiam mais que os outros. Eles eram os irmãos Ayahuasca e Ayahuma.
Quando os outros bruxos se deram conta que a gente doente já não os visitava porque havia esses dois irmãos que sabiam mais que eles, começaram a ter inveja.
Um dia se juntaram a maioria dos bruxos para entrarem em acordo para matar esses irmãos. Diziam que se não fizessem isso, iriam esquecer o que sabiam por não colocar em pratica seus conhecimentos e que as crias com quem trabalhavam com eles se distanciariam, já que não queriam perder sua sabedoria.
Entre todos começaram a buscá-los para matá-los onde os encontrassem. O Ayahuasca e Ayahuma souberam que estavam sendo procurados para matá-los porque em sonhos os apareceram e os disseram que os iam matar porque queriam saber mais que eles.
Os bruxos se reuniram novamente e começaram a cercá-los para matá-los. Nesse dia só conseguiram capturar o Ayahuasca, amarraram seus pés e suas mãos, para que não pudesse correr para a floresta e se escapar. Logo começaram a bater com paus por todo o corpo até que mataram e o enterrá-lo no mesmo lugar para que seus filhos não se soubessem do que havia aconteceu com seu pai Ayahuasca.
Depois de matá-los voltaram para suas casas. Logo de varias dias voltaram ao lugar aonde o havia enterrado o corpo e não encontraram nada. Só uma planta que crescia em forma de cipó de floresta, com galhos e folhas. O Ayahuasca havia se transformado em planta que conhecemos como Cipó-mariri e desde dali se vingava dos que o mataram, transformando-os em cobra e em onça para que fugissem suas crias e o desobedecesse.
Assim, o Ayahuasca ia acabando com estes bruxos maus, mas os que ficaram vivos pensavam que seu irmão Ayahuma era o que estava fazendo isso. Então, se reuniram para capturá-lo e matá-lo. Quando encontraram o Ayahuma bateram até deixá-lo morto. O cortaram a sua cabeça para que não ressuscitasse e levaram seu corpo para enterrá-lo em uma horta de um dos bruxos, para ver se transformasse em planta igual o seu irmão. Deixaram a cabeça onde haviam matado. Quando voltaram a suas casas a cabeça os seguia rolando pela terra, até que se cansou e não quis mais andar, enterrando-se no barro.
Depois de vários dias, a cabeça começou criar raízes e crescer até se converter uma grande árvore que hoje conhecemos como Castanha-de-macaco ou Ayahuma. E colocou frutos iguais uma cabeça para que os bruxos pudessem ver e lembrar que apesar de haverem cortado a cabeça nunca poderiam matá-lo, nem fazer desaparecer nenhum dos dois irmãos e que nunca poderiam ser mais que eles, porque assim como se encontram de igual maneira curam melhor as pessoas que precisam de sua ajuda e se vingam de quem rir deles.
Estas plantas medicinais que se encontram na floresta antes eram pessoas. Aí se colocaram de acordo para matar as pessoas que fazem mal e cuidar das pessoas boas.
Contam nossos velhos Kokama que o Ayahuasca é muito ciumento com a gente. Por isso, é que não os encontram facilmente. Também contam que se escondem ou desparece quando uma pessoa que é bruxo o busca para fazer maldades e não deixa vê-lo.
Só o Ayahuma não pode se esconder porque cresceu muito alto para que o possam ver e conhecer. Por isso, é que o ayahuma se encontra facilmente e desde longe o conhecem pelos seus frutos.
E assim foi como apareceram estas duas plantas curativas poderosas que antigamente eram grandes homens curandeiros que até agora curam.
Cipó-mariri ∕ Ayahuasca
Nome científico: Banisteriopsis spp., Banisteriopsis caapi.
Nome em Kokama: Ayawatska.
Castanha-de-macaco ∕ Ayahuma
Nome científico: Couroupita guianensis
Nome em Kokama: Ukarari.
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Origem do cultivo da ayahuasca

Quando Deus criou o mundo, Ele criou uma planta que ninguém poderia mexer, pois dela poderia sair conhecimentos da vida e da morte, da cura e da doença ou do bem e do mal. Então disse ao primeiro homem criado, “você pode usar de todas as plantas, menos dessa, pois poderá descobrir aquilo que estar além do seu alcance. Essa é uma das plantas proibidas que não poderá usar no momento. Quando precisar de ajuda solicite aos espíritos ou me chame para lhe ajudar”.
O homem então começou a andar pela floresta vendo todas as plantas que Deus havia criado e qual poderia usar quando precisasse. Mas teimoso, o homem ficou pensando, porque não posso usar essa planta? Já de tardezinha, veio até a planta, ficou olhando para ela, cortou um pedaço do galho e levou para casa, pensou “de manhã vou ver para que serve mesmo”.
Foi dormir, a noite teve vários sonhos assustadores, pois ainda não havia sentido medo até aquele momento, mas nesse dia sentiu. De manhã quando acordou, correu para ver o pedaço de ganho que havia deixado no chão, então, viu que do galho havia se tornado um cipó, que estava cobrindo tudo onde ele estava.
Deus veio até ele e perguntou ao homem: porque você fez isso? De agora em diante eu não irei mais aparecer para você e vou destruir aquela árvore proibida. Se quiser falar comigo agora terá que usar do cipó do galho que você cortou.
O homem arrependido do que fez, começou o cortar em pequenos pedaços o cipó e a plantar em todas as partes para não deixar de ver Deus quando precisar. Em sonho, um espirito disse: “com essa planta poderá ver o futuro, o passado e o presente, mas não poderá ver a Deus”. Para ver Deus ou falar com Deus, será necessário misturar a planta com chacrona, toé, flores e principalmente coca.
Deste dia em diante começou o cultivo de ayahuasca na terra.
Ayahuasca
Nome científico: Banisteriopsis caapi.
Nome em Kokama: Ayawatska.
Uso: é feito um líquido viscoso de ayahuasca que serve para o ritual da toma da ayahuasca Kokama para curar todos os tipos de enfermidades.
1. O povo Kokama usa três tipos de ayahuasca: Ayahuasca cielo, Ayahuasca rosário e Ayahuasca trueno. A ayahuasca cielo, se usa de forma geral para todas as pessoas que tem vontade de se curar através do ritual da Ayahuasca. A ayahuasca rosário, se usa para os discípulos que estão aprendendo a ser ayahuasqueiro kokama. A ayahuasca trueno, só usa os mestres na medicina kokama.
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Origem do cultivo da coca

No principio quando Deus criou o mundo, criou todas as coisas, estrelas, sol, água, terra, plantas, animais, peixes e aves.
Criou uma planta que conhecemos como coca. Então, pegou uma terra branca, misturou com folha de coca torrada e saliva. E fez um homem dessa mistura. Colocou o homem em cima de uma fogueira e começou a assar o homem até ficar pronto.
Quando o homem ficou pronto, o pegou em suas mãos, soprou e deu vida ao homem. E disse, “vai cuidar de todas as coisas que criei dar os nomes e protege-los, pois são todos os seus irmãos. Quando precisar de ajuda, basta chamar os espíritos que criei que eles irão te ajudar.
Sua missão é plantar coca por todas as partes e usar coca em tudo que for fazer para curar.
A planta da coca será para curar as pessoas, deve cuidar para que ela não seja usada para o mal”.
Foi essa missão dada por Deus ao primeiro homem criado. Por isso, que hoje em dia vemos a planta de coca por todos os lugares.
COCA
Nome científico: Erythroxylum coca.
Nome em Kokama: Kuka.
Uso: de forma de chá para doenças respiratórias; de forma pó da folha torrada para meditar e curar; de folha nos perfumes, aceites e banhos; também se usa nas misturas de ayahuasca, tabaco e outros remédios tradicionais Kokama. É a planta mestre central de todas as plantas medicinais Kokama.
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Origem do fogo

Contam os Kokama que no principio da vida na terra, o único homem a dominar o fogo se chamava Tatayara. Ele um dia pegou uma rã venenosa e retirou o veneno e passou numa ferida que fez no braço, com o intuito de ver como ele foi criado. Então ele viu que Deus o usou o fogo para assá-lo, quando ele foi feito de terra branca, saliva e pó da folha de coca torrada, por isso seu nome Tatayara, que quer dizer criado no fogo.
Na visão, observou que Deus havia feito o fogo com um raio que saiu das mãos em direção um monte de lenha seca que estava amontoado.
Em seguida, perguntou de um espirito que estava em sua visão: “como é possível fazer o fogo? Pois não tenho como fazer raios com as minhas mãos”. O espirito ensinou que poderia bater duas pedras próximas aos gravetos poderia fazer o fogo das faíscas e se caso não encontrasse duas pedras boas, poderia friccionar uma varinha em cima de uma madeira seca ao meio de vários gravetos, ao esquentar poderia produzir o fogo. Quando acabou as visões foi logo tentar fazer o fogo.
Depois de varias tentativas conseguiu fazer o fogo. Então foi possível fazer o fogo para assar as panelas feitas de barro, assar os alimentos, cozinhar, se aquecer e muitas outras utilidades.
Nessa época havia outros povos desconhecidos que não dominavam o fogo e ficavam tentando roubar o fogo, que estava sempre acessa, dia e noite.
Com o fogo foi possível torrar farinha, cozinhar ayahuasca, cozinhar o tabaco e assar as folhas de coca.
Com o cozido de plantas mestras da medicina poderia falar com Deus, com os espíritos, se curar e ver a vida passada, presente e futuro.
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Origem da lua

Aconteceu há muito tempo. Em uma aldeia vivia uma família muito unida que se apoiavam em tudo, porém dessa união só tiveram uma filha de seis anos e não poderia ter mais filhos. Para a felicidade do homem e da mulher, ela ficou gravida. Ela queria que fosse um homem. Dizia o pai, eu também quero que seja um homem para que brinque com sua irmã.
Tantas eram as vontades do casal que decidiram saber qual o sexo de seu filho no ventre. Então foram até um medico tradicional e perguntaram pelo sexo de seu filho. Depois de fumar seu cachimbo e fazer um discurso a mãe natureza, tocou na mulher na cabeça e depois no ventre. Novamente tirou outra porção de tabaco picado e preparou outro cachimbo. Fumou um par de minutos e logo com cara seria e olhando a parede disse: é homem. Não disse mais nada.
O marido o agradeceu mostrando uma enorme alegria e se despediram. Desde esse dia começaram a preparar a data do nascimento. E começaram a procurar um nome bonito para o futuro Kokama e ambos decidiram que iria se chamar Lua. No dia do nascimento, fizeram uma grande festa e convidaram todos os familiares de ambos. Foram três dias de festa.
Passado o tempo, o filho foi crescendo e seu pai ficava mais tempo com ele e ensinava de tudo, a pescar, a caçar, a fazer jaulas e tudo o que tinha que fazer um homem. Passaram os anos e se deram conta que já tinha dezenove anos. Sua irmã, a maior, tinha vinte e cinco anos, ambos eram solteiros.
Certa noite o homem entrou caladinho na cama de sua irmã, sem conversar, para acariciá-la, porém ela não pôde reconhecer quem era porque estava bastante escuro.
Amanheceu e não disse nada a ninguém. Passaram os dias e depois de uma semana outra vez esse homem entrou na sua cama. Para a má sorte da moça tampouco não pôde reconhecer quem era, porém desta vez sim contou para sua mãe porque estava muita assustada e temia que voltasse de novo.
Sua mãe, porém disse que não se preocupasse porque ela iria escutar. Na seguinte noite o homem voltou de novo.
Seu pai e sua mãe não sabia o que fazer, porém a mãe teve uma brilhante ideia: “temos que preparar um balde com jenipapo ralado, colocamos ao lado da cama e quando ele vier passe o jenipapo no rosto dele. Desta maneira saberemos quem é, porque de manhã sua cara estará preta”, explicou para sua filha e ela assim o fez.
Na noite a filha não dormiu esperando que o homem chegasse outra vez. Este não tardou muito e chegou. Então quis entrar em sua cama e se deu com a surpresa que a mulher molhou toda a sua cara. E o jovem saiu disparado.
Amanheceu e esperavam ver alguém com a cara preta. Então, o Lua não se levantava de sua cama. Sua mãe estranhou e pensou que deveria estar doente.
A mãe preocupada chamou sua filha e disse: “vai ver seu irmão em sua cama”. A menina obedeceu e foi ver seu irmão. O Lua estava deitado de cabeça para baixo. Quando chamou pelo nome, ele não respondeu nada. De repente se levantou e saiu correndo até a floresta. E sua irmã não sabia o que fazer porque viu que seu rosto estava manchado de preto. Foi até sua mãe e contou que Lua era quem estava com a cara pintada de preto.
No entanto, Lua fugiu para floresta. Ali subiu em uma Samaúma e desde lá por um cipó subiu até o céu. E por isso que nunca mais voltou e se colocou a iluminar as noites, mas foi de vergonha, para que fique claro que nenhuma mulher passe por isso novamente.
É por isso que nas noites, quando se vê a lua bem redonda, se percebe a mancha no fundo. Diz-se que é pelas manchas do jenipapo que sua irmã colocou no seu rosto quando ele foi até sua cama à noite.
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Origem da árvore

Contam os anciãos que antigamente não havia árvores nem floresta na terra, tudo era livre, só existiam às aguas dos mares, rios e dos lagos. Deus vivia no céu e seus filhos na terra. Como via que seus filhos não tinham mulheres e não poderiam ter filhos, começou a transformar os animais de um imenso lago em mulheres para entrega-los a cada um de seus filhos.
Os animais transformados em mulheres foram cobras, jacarés, jabutis e peixes grandes. Quando os filhos de Deus tiveram suas mulheres começaram a ter filhos. Assim aumentava a gente na terra. De repente o lago começou a tremer. A mãe do imenso lago se zangou porque Deus havia transformado suas crias em mulheres.
A mãe do lago era uma cobra grande e saiu para a terra para comer os filhos de Deus. Ao ver isso Deus baixou do céu para brigar com a cobra grande em defesa de seus netos. Quando a cobra se viu derrotada se meteu novamente a água e Deus subiu ao céu para cuidar de seus filhos e netos que viviam na terra lá de cima e mandou seus anjos cuidando de seus filhos por perto.
Como a cobra grande não podia comer os netos de Deus voltou a sair da água outra vez transformada em forma de um velho bruxo para enfeitiçar a todos os que viviam na terra. Deus desceu outra vez na terra para brigar com o velho bruxo, porém como antes já havia brigado em um campo e Deus tinha muito poder, então, fez cair um forte raio que queimou o velho bruxo, que ficou bem preto.
Deus voltou onde estavam seus filhos e não contou nada do que havia acontecido. Em seguida se despediu e subiu ao céu. Depois de um bom tempo, Deus baixou do céu novamente e foi ao lugar onde havia brigado. O velho que havia queimado com o raio ficou como uma estátua, que ia crescendo e colocava galhos como braços de uma pessoa. Seus pés se transformaram em raízes que se estendiam por toda a terra.
Também colocava folhas que se movia com o vento. À noite, Deus sonhou com o espirito do velho bruxo quem disse que estava arrependido, que ia curar as pessoas de todas suas enfermidades e também preparar todo tipo de remédios.
A noite seguinte uma mãe levou seu filho doente a dormir no tronco da árvore já formado e meia-noite em seu sonho se apresentava uns médicos que curaram a enfermidade de seu filho e o ensinou a preparar todo tipo de remédios. Assim se formou a árvore e com o tempo se foi regando suas sementes e se formou a floresta por toda a terra.
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Origem dos homens

Conta os antigos, que há muito tempo não existia homens, todos eram animais e seres. Todos foram cuidados por Deus. Um dia Deus de tanto andar pela terra cuidando seus animais, pensou: “minhas crias são muitos e não posso cuidá-los, farei um homem para que cuide tudo e de todos”. Ele queria fazer um homem perfeito, então começou amassar a terra misturada com o carvão em pó da árvore de apacharama, formou um homem, fez seu fogo, esperou que se fizesse brasa, carregou nas mãos, colocou no fogo e começou a assar.
Deus se esqueceu de controlar o assado do homem que estava criando porque tinha muito trabalho. Quando pôde ir vê-lo, encontrou o homem de cor preto, estava queimado. O tirou, soprou e disse: “te dou vida e anda”. O homem preto caminhou e começou a cuidar da floresta.
Deus não estava contente com sua criação. Fez outro homem, o assou, o cuidou, porém se demorou um pouco para ir a vê-lo. E encontrou o homem que estava ficando vermelho, tirou rapidamente do fogo e lhe disse: “te dou vida e caminha, cuida da floresta junto com homem negro”. O homem vermelho se foi a cuidar da floresta.
Apesar disso, Deus não encontrava o homem perfeito. Esse mesmo dia criou outro homem. A este cuidava muito para que não se queime com o fogo. O tirou de cor branca, o soprou e deu vida. O homem começou caminhar e se foi onde estavam seus parentes feitos por Deus.
Deus enviou os três para a floresta para cuidar de suas crias. Um dia, os três homens brigaram entre si porque todos queriam governar o território presenteado por Deus.
Sendo assim, Deus resolveu criar outro homem, misturou folha de coca com terra branca, cuidou e assou bem e lhe disse: “te dou vida e caminha, cuida da floresta junto com homem negro, vermelho e branco”.
Vendo tudo isso, Deus o entregou um terreno para casa um e os separou cada um para o lado com seus animais para que os criassem. Estes homens tiveram filhos e formaram os diversos povos.
Um dia, Deus os disse: filhos cuidem bem seus animais, sua terra e sua gente, eu os fiz porque não havia nada aqui.
Ao ultimo homem disse: Ensine seus filhos, façam um povo, façam grandes e será chamado de Kukamɨe tuy+uka (terra de Kokama). Dizendo isso, Deus foi para o céu até o dia de hoje e de lá fica nos observando.
Assim criaram os homens da terra. Por isso existem homens negros, brancos, vermelhos e Kokama.
ÁRVORE APACHARAMA
Nome científico: Licania elata.
Nome em Kokama: ɨtakipe ou itakipi.
Uso: a casca produz o pó que dá consistência ao barro, funciona como tipo de cimento natural utilizado na fabricação de cerâmica.
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A lenda do Espírito da Floresta

O Espírito da Floresta também conhecido como “Chullachaqui” é um demônio de pequena estatura, quem diz tê-lo visto afirma que ele usa um gr...