quinta-feira, 16 de março de 2023

Origem da armadilha de piso falso

Antigamente existia muita gente ruim que praticavam a bruxaria, eles viviam fazendo danos às demais pessoas sem causa nenhuma. Isso aconteceu há muitos anos atrás.
Estes bruxos se vingavam das pessoas fazendo sair suas cabeças quando estavam dormindo. Essas cabeças saiam para andar a noites e voltaram quando sentiam que já ia amanhecer.
Porém isso era no principio, já que à medida que iam passando os dias às coisas só pioravam, sendo que essas cabeças faziam de dia o mesmo trajeto, quando saiam a andar e não voltar a grudar em seu corpo. Os quais ficavam dormindo em suas casas.
As cabeças tinham vergonha de fazer ver suas caras que se encontravam cheias de barro por causa de andar rolando pelos lugares de barro no caminho. Por isso, ficavam escondidos, esperando que anoitecesse para voltar a sair da floresta e quando saiam às cabeças zoava: “tolon, tolon, tolon...”.
A gente tinha medo de andar a noite por temor às cabeças. Às vezes quando uma pessoa se encontrava com uma dessas cabeças, tinha que correr porque do contrário se a cabeça o encontrava ou alcançava ficava grudado no ombro daquela pessoa.
A cabeça quando já não voltavam a suas casas, seus corpos ficavam mortos e suas famílias tinham que enterrá-lo.
E assim aconteceu uma noite quando um homem saiu à floresta a buscar carne de caça, se encontrou com uma cabeça. O qual ficou grudado a seu ombro. Por mais esforço que fez o homem não podia escapar-se daquela coisa, o qual o impedia fazer suas obras com facilidade e ao mesmo tempo não deixava comer.
Tudo o que queria comer o homem, tudo os tirava a cabeça. Não o deixavam comer nem um só bocado.
Então, o homem estava ficando fraco, antes de tal situação o homem começou a preocupar-se e às vezes chorava pensando que ia morrer de fraqueza. Porém um dia o homem saiu a buscar a maneira de safar-se da cabeça, de tanto pensar chegou a uma ideia de ir pescar. Então, o homem disse a cabeça: Cabecinha! Espera-me aqui que eu irei pescar sozinho! Quero pescar bastantes peixes para poder comer nós dois juntos! Porque quando pego pouco peixe, você come mais que eu e não deixar nada para mim. Por isso é que estou ficando fraco.
Então a cabeça aceitou o trato dizendo: “então não demores, se demorar eu vou te procurar por todas as partes”. Respondeu o homem: Não te preocupes. Não irei demorar.
E assim foi como a cabeça se despregou do corpo do homem, aquele ao ver-se livre daquela coisa começou a caminhar lentamente com direção ao canto do lago. Entretanto, no cume do lago, a cabeça havia ficado totalmente tomada olhando as lindas plumas dos passarinhos que cantavam lindas melodias no mais alto das copas das árvores.
O homem aproveitando que a cabeça se encontrava descontraída, começou a caminhar rapidamente para o canto do lago com direção ao caminho.
Quando já estava uma boa distancia de onde se encontravam a cabeça, pegou um pedaço de pau e começou a cavar a terra, com uma rapidez incrível que alcançou completar a fundura que deseja fazer.
Logo saiu rapidamente e em seguida começou a colocar gravetos em forma de trempe na boca do buraco, sobre esse lugar colocou folhas de “maranta charuto” e uma capa muito fina de terra misturada com serapilheira.
E assim quando o homem terminou de construir sua armadilha utilizando um tempo muito curto, o qual não o permite a cabeça imagina o que estava fazendo. Uma vez terminado o processo de construção da armadilha, o homem decidiu buscar um lugar próximo ao buraco para poder se esconder e dessa maneira pode observar o que aconteceria com a cabeça quando esta chegasse ao lugar onde estava colocada a armadilha.
Entretanto, no lugar onde se encontrava a cabeça, este começou a caminhar uns metros, cansados de escutar os constantes assobios que faziam os pássaros. Caminhou, caminhou e caminhou impaciente sem poder encontrar o homem, o que se encontrava escondido a uma boa distancia de onde se encontravam a cabeça, entretanto, o tempo passava, sem parar sua marcha e devido isso, a cabeça começou a ficar mais e mais impaciente.
Até que um dado momento, cansado de tanto procurar o homem, a cabeça começou a rolar pelo caminho e ao mesmo tempo gritava: “espera-me, por favor, espera-me”. E assim sucessivamente gritava muitas vezes, enquanto se dirigia inconscientemente rumo à armadilha.
E foi assim, como a cabeça indo muito apressada pelo caminho e sem que se desse de conta, caiu no buraco e a cabeça fez barulho: “pon”.
Desta maneira, foi como nossos antepassados inventaram as armadilhas de piso falso.
Nome em português: Maranta charuto
Nome científico: Calathea lutea
Nome em Kokama: Tapɨta
Utilidade: Serve para fazer pupeca e tamalhe.
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