Antigamente, vivia uma mulher chamada Kurima, junto com seus filhos os Kuki. Ela era uma especialista em fazer pupeca, tamalhe e moqueado de peixe que seus filhos conhecidos como kuki os traziam da pescaria. A mulher chamada Kurima só se preocupava todos os dias pela alimentação de seus filhos. Era uma viúva que esperava tudo de seus filhos.
Diariamente os kuki trabalhavam carregando lenha e peixes. A mãe não sabia fazer outras coisas há não ser pupeca de peixe. Todos os dias só dava pupeca para os filhos comer. Um dia seus filhos foram caçar e mataram um veado. Trouxeram o veado para casa e exigiram que sua mãe preparasse outro tipo de comida.
A mulher chorou muito ao ver o animal, porque não sabia como preparar a comida feito com carne de veado. Seus filhos com fome não sabiam o que estava acontecendo com sua mãe, até que se deram de conta que ela não sabia fazer a comida do animal.
Zangaram-se com ela e não quiseram ir pescar para castiga-la. Apesar disso a mulher conseguia pescar sozinha e não dava comida a seus filhos. Não resistindo à necessidade, seus filhos decidiram ir pela segunda vez pescar e trouxeram bastante quantidade de peixes. Isso alegrou a mulher, que dançando, cantando e rindo foi preparar pupeca em grande quantidade.
Ela escolhia as melhores pupeca e as escondia, deixando as pequenas pupeca para seus filhos comerem. Eles estavam muito descontentes com a pupeca porque não tinha gosto de comida, então, eles começaram a enfraquecer e ficaram com a cabeça grande, com pernas e braços finos. Porém, como sempre, foram trabalhar.
Chegou o tempo em que os kuki estavam muito cansados de sua mãe e descontentes porque às vezes não os dava comida.
Viviam muito sofridos. Cada vez eram mais escravos de sua mãe. Ela os ordenava que consertasse a casa, a renovar as madeiras e o teto.
Por fim, ao voltar da floresta, ao meio caminho, se converteram em formigas saúva-limão (Kuki) e voltaram para casa carregando folhas e madeiras. Para que sua mãe desse de conta de suas presenças começaram a morder ela por todo o corpo. A mulher corria, saltava, gritava e com desespero se transformou em uma planta, pensando que seus filhos os formigas saúva-limão (Kuki) não iam atacar.
Porém aconteceu ao contrario e eles acabaram comendo a planta. O vestido da mulher se transformou em filhos da planta, suas tranças em flor, seu sangue em resina, suas pernas e braços em talos e por ultimo seus pêlos a raiz.
Depois de transformasse em planta que hoje conhecemos como Alpínia (kuremaka), a mulher vivia nela dando vida, se tornou a mãe da planta.
Aconteceu um dia, que um homem caçador encontrou a planta pelo cheiro que possuía. Como não tinha mulher, o homem disse: “Tanto cheiro tem essa planta! Como não é uma mulher!” Dizendo assim a deixou.
No dia seguinte, o caçador encontrou uma mulher em pé entre a planta Alpínia (kuremaka), que o disse: “Se você tanto me precisa! Estou aqui!” O homem respondeu: “Quem é você?” Disse ela: “me chamo Kurima”. Então, o homem a fez dela sua esposa e começaram a conviver juntos.
Por muito tempo o caçador vivia com a mulher Alpínia (kuremaka), o adulava porque sabia preparar gostosas pupecas.
Até que se cansou de tanto comer todo o tempo à mesma coisa. O homem se deu conta que sua mulher comia a folha da planta e era muito gulosa.
Um dia o caçador a encontrou comendo folha da planta transformada em um grande tapurú. Chamou ela e disse: “você não sabe preparar pupeca, é uma mulher manamishqui e uma gulosa”.
Isso deu bastante vergonha à mulher Alpínia (kuremaka), que respondeu: “hoje sim vou embora de vez. Se não me queres mais. Como sou uma mulher manamishqui e você não me queres. Sempre me encontraras na planta Alpínia (kuremaka), porque eu fui uma mulher que sabe preparar pupeca”. Então, o caçador matou o tapurú e encontrou dentro de sua barriga uma pupeca. E a mulher desapareceu para sempre.
Por isso na atualidade as mulheres Kokama pegam as folhas de Alpínia para preparar sua pupeca e pedem a mulher dona da planta para que sua pupeca seja saborosa. A mulher Alpínia (kuremaka), deixou este conhecimento às mulheres Kokama.
Nome popular: Alpínia.
Nome Kokama: kuremaka, variante: Kurimaka
Nome científico: Renealmia alpinia (Rottb.) Maas
Família: Zingiberaceae
Forma de vida: Erva rizomatosa
Nome popular: formiga-mandioca e saúva-limão.
Nome Kokama: Kuki
Nome científico: Atta sexdens
Manamishqui: Sem açúcar. Palavra quéchua, composta de “manan”: “não” e de “mishqui”: açúcar.
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