Aconteceu há muito tempo. Em uma aldeia vivia uma família muito unida que se apoiavam em tudo, porém dessa união só tiveram uma filha de seis anos e não poderia ter mais filhos. Para a felicidade do homem e da mulher, ela ficou gravida. Ela queria que fosse um homem. Dizia o pai, eu também quero que seja um homem para que brinque com sua irmã.
Tantas eram as vontades do casal que decidiram saber qual o sexo de seu filho no ventre. Então foram até um medico tradicional e perguntaram pelo sexo de seu filho. Depois de fumar seu cachimbo e fazer um discurso a mãe natureza, tocou na mulher na cabeça e depois no ventre. Novamente tirou outra porção de tabaco picado e preparou outro cachimbo. Fumou um par de minutos e logo com cara seria e olhando a parede disse: é homem. Não disse mais nada.
O marido o agradeceu mostrando uma enorme alegria e se despediram. Desde esse dia começaram a preparar a data do nascimento. E começaram a procurar um nome bonito para o futuro Kokama e ambos decidiram que iria se chamar Lua. No dia do nascimento, fizeram uma grande festa e convidaram todos os familiares de ambos. Foram três dias de festa.
Passado o tempo, o filho foi crescendo e seu pai ficava mais tempo com ele e ensinava de tudo, a pescar, a caçar, a fazer jaulas e tudo o que tinha que fazer um homem. Passaram os anos e se deram conta que já tinha dezenove anos. Sua irmã, a maior, tinha vinte e cinco anos, ambos eram solteiros.
Certa noite o homem entrou caladinho na cama de sua irmã, sem conversar, para acariciá-la, porém ela não pôde reconhecer quem era porque estava bastante escuro.
Amanheceu e não disse nada a ninguém. Passaram os dias e depois de uma semana outra vez esse homem entrou na sua cama. Para a má sorte da moça tampouco não pôde reconhecer quem era, porém desta vez sim contou para sua mãe porque estava muita assustada e temia que voltasse de novo.
Sua mãe, porém disse que não se preocupasse porque ela iria escutar. Na seguinte noite o homem voltou de novo.
Seu pai e sua mãe não sabia o que fazer, porém a mãe teve uma brilhante ideia: “temos que preparar um balde com jenipapo ralado, colocamos ao lado da cama e quando ele vier passe o jenipapo no rosto dele. Desta maneira saberemos quem é, porque de manhã sua cara estará preta”, explicou para sua filha e ela assim o fez.
Na noite a filha não dormiu esperando que o homem chegasse outra vez. Este não tardou muito e chegou. Então quis entrar em sua cama e se deu com a surpresa que a mulher molhou toda a sua cara. E o jovem saiu disparado.
Amanheceu e esperavam ver alguém com a cara preta. Então, o Lua não se levantava de sua cama. Sua mãe estranhou e pensou que deveria estar doente.
A mãe preocupada chamou sua filha e disse: “vai ver seu irmão em sua cama”. A menina obedeceu e foi ver seu irmão. O Lua estava deitado de cabeça para baixo. Quando chamou pelo nome, ele não respondeu nada. De repente se levantou e saiu correndo até a floresta. E sua irmã não sabia o que fazer porque viu que seu rosto estava manchado de preto. Foi até sua mãe e contou que Lua era quem estava com a cara pintada de preto.
No entanto, Lua fugiu para floresta. Ali subiu em uma Samaúma e desde lá por um cipó subiu até o céu. E por isso que nunca mais voltou e se colocou a iluminar as noites, mas foi de vergonha, para que fique claro que nenhuma mulher passe por isso novamente.
É por isso que nas noites, quando se vê a lua bem redonda, se percebe a mancha no fundo. Diz-se que é pelas manchas do jenipapo que sua irmã colocou no seu rosto quando ele foi até sua cama à noite.
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