sexta-feira, 17 de março de 2023

A lenda do Espírito da Floresta

O Espírito da Floresta também conhecido como “Chullachaqui” é um demônio de pequena estatura, quem diz tê-lo visto afirma que ele usa um grande chapéu de palha que esconde um rosto enrugado, no qual se destacam um nariz proeminente, orelhas pontudas e olhos vermelhos. O Espírito da Floresta tem pouco mais de um metro de altura e usa trapos muito sujos. Outros dizem que ele anda encurvado e com os pés erguidos. Mas, a principal característica, da qual deriva o seu nome, refere-se aos seus pés: um é de humano e o outro de animal, que pode ser veado, queixada, tartaruga, galo, etc. O nome “Chullachaqui” desse duende travesso deriva de duas palavras do Quéchua: “ch’ulla” que significa “desigual ou diferente”. A outra palavra é “Chaqui” que significa “pé”. Ao que pode ser entendido como: “Pés desiguais”. Em Kokama fica: Tɨmay+atɨren pɨeta. O Espírito da Floresta vive nas profundezas da densa floresta Amazônica, com a capacidade de se transmutar em uma criança, um parente da vítima que está perseguindo ou até mesmo de um conhecido seu. Esse espirito com o nome de “Chullachaqui” é amplamente conhecido na Amazônia. Em alguns lugares é conhecido também por “tsulla chaki”, que significa "um pé". Em Kokama fica: wepe pɨeta. Dizem que ele fica com medo quando você grita no ouvido dele, mas é preciso ter calma e coragem ao fazer isso. Em outras regiões amazônicas, o duende também é conhecido como: "Shapshico" e "Ishingo". De acordo com a tradição Kokama, nas raízes da Samaúma vive o Espírito da Floresta “Shapshico” ou diabo da floresta ou velho do rio. É falado que o Espírito da Floresta bate a raiz da Samaúma para anunciar uma tempestade. Com o termo “Ishingo”, dizem alguns, que é a alma de um bebê abortado, outros dizem que nada mais é do que criança que morreu em tenra idade, de forma surpreendente ou trágica, e o próprio fato de se recusarem a morrer e passarem para o próximo plano evolutivo. Ele se mantem neste mundo transfigurado como um ser demoníaco, feio e danado. Por isso, é comum sabermos de pessoas que viram e foram vítimas de artimanha por conta de suas visitas, pois só sabem incomodar, causar medo e fazer bagunça sem medir as consequências de seus atos. Como é sabido, a floresta amazônica tem vários duendes: seres ambíguos, que às vezes aparecem de forma amigável para fazer companhia e brincar com crianças que ficam sozinhas em casa, mas que às vezes também são bastante feios e letais quando se apegam com alguma criança e decide levá-la com eles, para se tornar um deles. O Espírito da Floresta é considerado o Guardião da floresta, inspira respeito e medo aos nativos e aos estranhos. Muitas vezes é associado ou relacionado ao diabo, em algumas variantes, e em parte, com seres demoníacos. Além disso, dizem que não é apenas um, mas vários. Em outras crenças amazônicas, acredita-se que o Espírito da Floresta “Chullachaqui” se origina da relação entre um duende e um demônio, sendo uma espécie híbrida entre os dois. Geralmente ele aparece para quem anda sozinho nas trilhas ou na floresta. Segundo a tradição, às vezes ele se apresenta de forma amigável e concedendo presentes da floresta, desde que a pessoa que os recebe não diga a origem de sua boa sorte, outras vezes ele é agressivo. Mas, normalmente, ele só desfere sua agressividade contra pessoas ruins, pecadores, corruptos e ateus. Diz-se que o Espírito da Floresta “Chullachaqui” rouba crianças para brincar com elas, porém, depois as devolve sem machucá-las. Entretanto, para outros não é assim, pelo contrário, essas crianças desaparecem e nunca mais voltam. Há quem afirme que essas crianças poderiam ser manipuladas pelo Espírito da Floresta, depois de morrerem perdidas na extensa área florestal. Mas, segundo os habitantes da floresta, tende a se transformar em qualquer um, com o único desejo de fazer você se perder no meio da mata. Pode aparecer para você transformado em um parente seu, ou em um amigo, ele o leva por caminhos errados, entrando nas profundezas da floresta amazônica, com o objetivo de se perder, abandonado à sua sorte. Para uma criança, o Chullachaqui geralmente aparece como outra criança ou outro companheiro de brincadeira. Sempre com o objetivo de fazê-lo se perder. Essas ações geralmente estão relacionadas ao desaparecimento de crianças que são levadas pelo duende aproveitando-se da negligência de seus pais. Crianças são sequestradas de suas casas ou das roças de seus pais. Em todos os depoimentos, as crianças não são maltratadas, porém, ao serem encontradas pelos socorristas apresentam descontrole em suas atitudes. Posteriormente, as crianças devem ser tratadas por pajés, que eliminam o estado de transe em que permanecem os afetados. A única maneira de descobrir a verdadeira identidade do Espírito da Floresta “Chullachaqui” é olhando para seus pés, pois um de seus pés está deformado e é muito perceptível. Consequentemente, ele tentará esconder os pés. Ao ser descoberto, o Espírito da Floresta “Chullachaqui” escapará para a floresta e desaparecerá. Há quem diga que ele usa algumas cavernas como seu esconderijo preferido e outros dizem que usa a árvore Samaúma para se esconder. A árvore de Samaúma é uma árvore mística que alguns médicos tradicionais usam para seus trabalhos de cura. Algumas testemunhas, principalmente pessoas mais velhas, contam histórias de pessoas que tiveram a oportunidade de conversar com esse ser, em tempos remotos, quando a selva ainda se mantinha virgem e não como se vê atualmente. As referidas conversas diretas correspondiam a exortações ou ameaças que a entidade fazia aos contatados para que não caçassem animais nem cortassem árvores, afirmando-se donos de todos os recursos florestais. Em alguns casos, a entidade foi generosa com algumas das testemunhas e garantiu o aporte de recursos da floresta, ou seja, dependendo do que ele precisasse, ele poderia fornecer produtos de caça abundantes e fáceis, látex de seringa ou "borracha" e árvores de madeira fina que ele poderia aproveitar na floresta. O Espírito da Floresta “Chullachaqui” gosta de maltratar física e psicologicamente suas vítimas, quando elas invadem o que ele considera seu território e se aproveitam do que ele chama de sua propriedade. Segundo essas pessoas, o Espírito da Floresta "Chullachaqui" é excitado pelo desejo de lutar e, quando encontra uma vítima, o desafia para uma luta. Embora esses casos sejam muito raros, há relatos de mulheres que afirmam terem sido violentadas por esse ser enquanto estavam sozinhas na floresta. Existem testemunhos de algumas cozinheiras de acampamentos na floresta, que dizem terem sido agredidas sexualmente pelo Espírito da Floresta “Chullachaqui”. Alguns também garantem que o duende gosta de se apaixonar por algumas mulheres, a ponto de ficar obcecado por elas. Quem afirma ter tido contato com esse ser, direta ou indiretamente, costuma apresentar alguns sintomas após o contato: febre, dor de cabeça, náuseas e desconforto corporal. O Espírito da Floresta "Chullachaqui" ocupa grande parte da crença popular dos habitantes rurais e urbanos da Amazônia. É um ser que adota características do ser humano como luxúria, raiva, egoísmo, obsessão, engano, sequestro, exigência, adulação, paixão e vingança. O Espírito da floresta é um demônio da floresta, também conhecido pelo povo Kokama como Chullachaqui, Tsupai, Ishingo, Shapingo, Shapshico ou Shapishico.
A ɨmɨntsarayara ɨwɨratiawa
ɨwɨratiawa riai ikuawara mania “Churachaki” yay wepe maitsankara chura ɨwata, awatipa kumitsa emete umipupenan kumitsaui mari uri akitamira wepe nuan chapewa pariata mari y+amimi wepe tsitsa katsere, awatipakuara icharika wepe ti arɨwa, nami tsapukanpu ay tsitsatse tururukan. Uri emete aichuwanan ashun wepe metrura ɨwata ay akitamira kepeyuka aitse charu. Amua kumitsa mari uri ukua yamamani ay y+a pɨeta tsupirika. Urian a ɨatira aitsemekatunika, awatipama uri chiramuki, ɨmɨntsarara pɨetamuki: wepe yay awa ay amua animaru, mari amatsɨka pupe ɨtsɨwatsu, tayatsu, puka, atawari niapitsara, amua. Chira “Churachaki” ikian tuwa kaichiru uri mukuika kumitsa kichua: “ch’ullashka”, mari kumitsa “tsupiriwanan tsurin maniaka”. A amua kumitsa yay “Chaquishka”, mari kumitsa “pɨeta”. Mari amatsɨka pupe ikua mania: “Pɨeta tsupiriwanan”. Kukamɨe minu yuriti: Tɨmay+atɨren pɨeta. ɨwɨratiawa kakɨrɨ ta mɨtɨrɨpe yanama ɨwɨrati Amay+uniaka, y+a a chɨmɨra uwakama ya wepe ɨkɨratsen, wepe irua yapitsawara mari y+uti chikuarata tsurin wepe ikuawara ra. Yukan mai y+a chira “Churachaki” yay epewatsu ikuawara ta Amay+uniaka. Ya amua tupakana yay ikuawara riai y+a “tsullashka chaki”, mari kumitsa "wepe pɨeta". Kukamɨe yuriti: wepe pɨeta. Rana kumitsa mari uri y+uriti y+a akɨcha maniapuka ene tsatsatsɨma ta apɨtsakuara y+a, urian yay tseta emete ɨyurun ay wɨka a y+auki ikian. Ramuaka tuy+ukapankana amay+unika, tuwa riai yay ikuawara mania: "Shapshiku" ay "Ishinku". Yakuararaka y+a a ɨmɨntsaranumia Kukamɨe, ta tsapua Tsamuna kakɨrɨ ɨwɨratiawa “Shapshiku” tsurin ɨwɨratiawa tsurin wiju parana. Kumitsa mari ɨwɨratiawa ayuka a tsapua Tsamuna marira kumitsapuka wepe amanawatsu. Y+a kumitsa “Ishinku”, kumitsapu amuakana, mari yay tsawa wawa umanu uwari, amua kumitsa mari tɨma awa ashun yay mari churankɨra mari umanu ɨkɨran wata, kuatiara erapakatun tsurin utsutaka, ay y+a aitsemekatun ukuata ra nin a umanu ay rana ukuatatsen marira amuatsen pewa aipacharikatun. Uri ra chimira raepe muntu uwaka pupe wepe maitsankara, aitse ay kaichiru. Y+ikua, yay katupetsen rana ikua awa mari umi ay utsui umanutapawara ikuachira y+a tsetamuki awanutsu, titikanai ikia intata, akɨchata ay y+auki kaichiru tɨma tsanata tsawitinan atukanamuki. Mania ene ikua a ɨwɨrati amay+unika emete chita tuwa: pupekana tsuparakapa, marira tupapenan katupe kuatiara irua marira y+auki iruanumuki ay yumutsarika y+a ɨkɨratsen marira yuriti titikana ukakuara, urian marira tupapenan riai aitesem aitse ay umanunan maniapuka ra awaɨtsɨkatan y+a amua churankɨra ay yakuararakanan erutsu y+a rana, marira ra iriwatsen wepe rana. ɨwɨratiawa yay tsapiaritsen yatsewara ɨwɨratima, tsapiaratsen tsapiarin ay akɨcha a tapɨy+a ay y+a ramatsekana. Aitseme tupapenan yay uyaritsen tsurin uyaritsentawa a tsupai, amuaka maniamaniakan, ay petsetakaka, y+a emetetsen aitsetsen. Ria, kumitsa marira tɨma yay kuyanan wepe, urian chita. Ramuaka tsapiaritsen amay+unika, tsapiari mari ɨwɨratiawa “Churachaki” ra uwarinan wepe matsetsen mɨtɨri wepe tuwa ay wepe maitsankara, pupeari wepe iruatakanpupe iruataka mɨtɨri wepe tuwa ay wepe maitsankara. Kananan uri katupe marira awatipa ukua titi pekuara tsurin ɨwɨrati. Tsakapɨrɨ a ɨmɨntsaranumia, tupapenan uri ra memuta kuatiara iruatsuika ay tamanatawa yumitamana ɨwɨrati, maritsuika a awa mari tawa tɨma kumitsa a uwarinan ra era tsawatsen; amua tupapenan uri yay uyaruntsui. Urian, naturanan, uri titi uyupetsen ra uyaruntsurin amutsewetatsen awa aitsen, uchayaraminu, maniakaka ay nitsapiari. Kumitsa mari ɨwɨratiawa “Churachaki” muna ɨkɨratsen marira yumutsarika y+a uri, urian riantsui rana iriwata tɨma tutukaka. Urian marira ramua tɨma yay ria, y+a amatura, yukan ɨkɨratsen ukaimapu ay tɨma ashun rana iriwa. Emete awatipa ikuatan mari yukan ɨkɨratsen rana amatsɨka pupe akitamiran y+a ɨwɨratiawa, riantsui rana umanu ukaimawara ɨwɨratikuara. Urian, tsakapɨrɨ awakana ɨwɨrati, amutsewen a ra uwukata ya rama wepe y+a uniku tseta y+auki ene ra ukaima mɨtɨrɨ ɨwɨrati. Amatsɨka katupe marira ene uwaka ya wepe irua y+a, tsurin wepe irua, uri erutsu y+a pe niaitsemeka, akiwa ɨpɨpe ɨwɨrati amay+unika, y+a tsɨritsen ra ukaima, icharin a ra tsawatsen. Marira wepe ɨkɨratsen, Churachaki kananan katupe mania ramua ɨkɨratsen tsurin ramua irua yumatsarika. Tsapa y+a tsɨritsen y+auki ra ukaima. Y+ukan atukana kananan rana y+uti yumutsanin a ukaimapan ɨkɨratsen mari rana erutsu y+a tuwa chɨpɨtsen tɨma aipata rana papakana. ɨkɨratsenkana upiatsen rana uka tsurin kukuara kamatawa rana papa. Ya upi kumitsa, ɨkɨratsen tɨma aitsekapan, urian rana pupe purara y+a utsuepewara memuta ipukua yuritin upanan tɨmamayana. Raepetsui, ɨkɨratsen tseta pupe mutsanara y+a ikuan, mari uchikara yuritin iya timi ya mari chimira iya ɨnta. A uniku riawa umipa a ria chirarata awa ɨwɨratiawa “Churachaki” yay umiari marira ra pɨeta, urian wepe uri ra pɨeta yay aputaka ay aitse umin. Riantsui, uri tsani yamimi pɨeta. A pupe umipa, ɨwɨratiawa “Churachaki” utsuepe marira a ɨwɨrati ay ukaimautsu. Emete awatipa kumitsa mari uri akitamira amua kakuaranɨwata mania ra yamimitupa wawurutsen ay amua kumitsa mari akitamira a ɨwɨra Tsamuna marira ra yamimi. A ɨwɨra Tsamuna yay wepe ɨwɨra mainanimai mari amua rana taita akitamira marira ra kamata mutsanara. Amua utsutsuriwara, ɨatiranan awa ashun wija, kumitsa ɨmɨntsara awa mari rana emete a ukuatanan kumitsa y+a yukan pupe, ya watatsuin ɨmɨnuan, maniapuka a ɨwɨrati yaytsuri aitsemekatun kuniatipain ay tɨma mania aipuka. Chiratan kumitsa yumata tsapiaritsen a tamanatsen tsurin tsani mari a tupa amatsɨka chirarawara marira mari tɨma ipurakari animaru tɨma petsetaka ɨwɨra, kumitsatsen y+arakana upi uyarichiru ɨwɨrati. Ya amua rachaikana, a mai utsui epekawara y+a amua utsutsuriwara ay tapɨtsen yumayarin uyarichiru ɨwɨrati, wɨrɨ, tɨkɨtatsenwa mari uri tsetaui, uri amatsɨkaui yumitsen ɨwɨrɨatsenkana ipurakari chitatsen ay ikuatsen, arichi kai shirinka tsurin "kaitsen" ay ɨwɨra ɨwɨra kuyana mari uri amatsɨkaui akitamiratsen ɨwɨrati. ɨwɨratiawa “Churachaki” ikua eyu intata tsu ay pitsiku umanutapawara, maniapuka rana anarukatsen mari uri tuyukapan ay akitamiratsen mari uri tsapuki ra aitsemekatuka. Tsakapɨrɨ y+ukun awa, ɨwɨratiawa "Churachaki" yay tsawɨru y+a iyara inupaka ay, maniapuka purara wepe umanutapawara, tsapukinan a inupaka. Ria pupe aitse aitsewanan, emete ɨmɨntsara waina mari aiy+akumitsaeram emete aiy+ukuata tɨmatsetamuki yukan pupe rana y+uti tatatupa ɨwɨratikuara. Emete aiy+ainaniai amua iy+uny+aukitara aitsemeka ukakɨranu ɨwɨratikuara, kumitsa emete aiy+ukuata inupapa tɨmatetamuki ɨwɨratiawa “Churachaki”. Amua aiy+ainaniai riai tay+umɨrariai mari tuwa chapunitara ini tsetapan amua waina, katika yuriti tsetamay rana. Awatipa aiy+akumitsaera emetetsuri aiy+akumitsa ɨwɨratiawa, yumata tsupiari tɨmayumata, memuta amua: umanu, tsachi y+akia, uwene ay timiran. ɨwɨratiawa "Churachaki" akipan aitse tsapiaritsen awakana kukapan ay ruairan Amay+uniaka. Yay wepe pupe mari tɨmay+apapai aitsemeka aitsemekatunika pupe awa mania warimata, y+umuratsuri, michapan, tsetamay, ɨra, irutsai, kurikitsetan, y+umitsurin, tsetapan ay tsumurupan. ɨwɨratiawa yay wepe maitsankara ɨwɨrati, riai ikuawara y+a tapɨy+a Kukamɨe mania Churachaki, Tsupai, Ishinku, Shapinku, Shapshiku tsurin Shapishiku.
ɨwɨrati: Floresta, selva, mata. Tuwa: espirito, mãe de algum elemental. Variantes: Awara, Mai, Maitsankara, Tsulla chaki e Tsawa.
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quinta-feira, 16 de março de 2023

Origem da armadilha de piso falso

Antigamente existia muita gente ruim que praticavam a bruxaria, eles viviam fazendo danos às demais pessoas sem causa nenhuma. Isso aconteceu há muitos anos atrás.
Estes bruxos se vingavam das pessoas fazendo sair suas cabeças quando estavam dormindo. Essas cabeças saiam para andar a noites e voltaram quando sentiam que já ia amanhecer.
Porém isso era no principio, já que à medida que iam passando os dias às coisas só pioravam, sendo que essas cabeças faziam de dia o mesmo trajeto, quando saiam a andar e não voltar a grudar em seu corpo. Os quais ficavam dormindo em suas casas.
As cabeças tinham vergonha de fazer ver suas caras que se encontravam cheias de barro por causa de andar rolando pelos lugares de barro no caminho. Por isso, ficavam escondidos, esperando que anoitecesse para voltar a sair da floresta e quando saiam às cabeças zoava: “tolon, tolon, tolon...”.
A gente tinha medo de andar a noite por temor às cabeças. Às vezes quando uma pessoa se encontrava com uma dessas cabeças, tinha que correr porque do contrário se a cabeça o encontrava ou alcançava ficava grudado no ombro daquela pessoa.
A cabeça quando já não voltavam a suas casas, seus corpos ficavam mortos e suas famílias tinham que enterrá-lo.
E assim aconteceu uma noite quando um homem saiu à floresta a buscar carne de caça, se encontrou com uma cabeça. O qual ficou grudado a seu ombro. Por mais esforço que fez o homem não podia escapar-se daquela coisa, o qual o impedia fazer suas obras com facilidade e ao mesmo tempo não deixava comer.
Tudo o que queria comer o homem, tudo os tirava a cabeça. Não o deixavam comer nem um só bocado.
Então, o homem estava ficando fraco, antes de tal situação o homem começou a preocupar-se e às vezes chorava pensando que ia morrer de fraqueza. Porém um dia o homem saiu a buscar a maneira de safar-se da cabeça, de tanto pensar chegou a uma ideia de ir pescar. Então, o homem disse a cabeça: Cabecinha! Espera-me aqui que eu irei pescar sozinho! Quero pescar bastantes peixes para poder comer nós dois juntos! Porque quando pego pouco peixe, você come mais que eu e não deixar nada para mim. Por isso é que estou ficando fraco.
Então a cabeça aceitou o trato dizendo: “então não demores, se demorar eu vou te procurar por todas as partes”. Respondeu o homem: Não te preocupes. Não irei demorar.
E assim foi como a cabeça se despregou do corpo do homem, aquele ao ver-se livre daquela coisa começou a caminhar lentamente com direção ao canto do lago. Entretanto, no cume do lago, a cabeça havia ficado totalmente tomada olhando as lindas plumas dos passarinhos que cantavam lindas melodias no mais alto das copas das árvores.
O homem aproveitando que a cabeça se encontrava descontraída, começou a caminhar rapidamente para o canto do lago com direção ao caminho.
Quando já estava uma boa distancia de onde se encontravam a cabeça, pegou um pedaço de pau e começou a cavar a terra, com uma rapidez incrível que alcançou completar a fundura que deseja fazer.
Logo saiu rapidamente e em seguida começou a colocar gravetos em forma de trempe na boca do buraco, sobre esse lugar colocou folhas de “maranta charuto” e uma capa muito fina de terra misturada com serapilheira.
E assim quando o homem terminou de construir sua armadilha utilizando um tempo muito curto, o qual não o permite a cabeça imagina o que estava fazendo. Uma vez terminado o processo de construção da armadilha, o homem decidiu buscar um lugar próximo ao buraco para poder se esconder e dessa maneira pode observar o que aconteceria com a cabeça quando esta chegasse ao lugar onde estava colocada a armadilha.
Entretanto, no lugar onde se encontrava a cabeça, este começou a caminhar uns metros, cansados de escutar os constantes assobios que faziam os pássaros. Caminhou, caminhou e caminhou impaciente sem poder encontrar o homem, o que se encontrava escondido a uma boa distancia de onde se encontravam a cabeça, entretanto, o tempo passava, sem parar sua marcha e devido isso, a cabeça começou a ficar mais e mais impaciente.
Até que um dado momento, cansado de tanto procurar o homem, a cabeça começou a rolar pelo caminho e ao mesmo tempo gritava: “espera-me, por favor, espera-me”. E assim sucessivamente gritava muitas vezes, enquanto se dirigia inconscientemente rumo à armadilha.
E foi assim, como a cabeça indo muito apressada pelo caminho e sem que se desse de conta, caiu no buraco e a cabeça fez barulho: “pon”.
Desta maneira, foi como nossos antepassados inventaram as armadilhas de piso falso.
Nome em português: Maranta charuto
Nome científico: Calathea lutea
Nome em Kokama: Tapɨta
Utilidade: Serve para fazer pupeca e tamalhe.
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Origem do abano

Antigamente, os Kokama não conheciam como fazer um abano. Ao fazer seus fogos, não sabiam como fazer arder o fogo para poder cozinhar seus alimentos. Como não tinham outra forma de fazer arder o fogo, as mulheres tinham a obrigação de soprar com sua boca e também utilizavam a tampa das panelas de barro.
Também as mulheres utilizavam sua blusa ou seu vestido para fazer arder o fogo. O povo não tinha outra ideia para solucionar este problema.
Como todas estas técnicas não davam bons resultados buscaram logo mudar a forma de fazer arder o fogo. Sentiram-se muito preocupados para solucionar esse problema.
Os homens já praticavam a pesca de diferentes materiais. Um dia, um homem entrou no lago com a ideia de solucionar o problema que sofria sua mulher ao fazer o fogo. Já no lago, o homem começou a pescar, mas sempre pensando observar algo que pudesse copiar, por sorte visgou um pirarucu grande de três peças. Depois de matar o pirarucu, observou e teve a ideia de fabricar um abano olhando as escamas do rabo do pirarucu. Com essa ideia voltou para sua casa levando o pirarucu.
O homem pescador deu a ideia para sua mulher de como fazer o abano. Dirigiu-se até floresta para cortar nervadura central da planta Calatéia Charuto (ɨwɨratin tapɨta) e tirar as fibras. Ai começou a elaborar o tecido do primeiro abano criado pela ideia do pescador. Porém esta ideia não teve bom resultado. O homem se sentiu descontente porque seu trabalho não teve resultado positivo. O abano não durava muito e logo se estragava.
Ao observar o abano que fez para sua esposa não saiu como pensou o homem recapitulou e saiu para a floresta para buscar outro tipo de material que pudesse durar mais. Não encontrou solução na floresta e voltou para casa descontente. Quando se deitou e foi dormir, o espirito conhecido como Shapshico (Shapishiku) aproveitando seu sonho, disse: “Volta por onde tem passado e fixa-te em uma palmeira que tem espinhos em suas folhas e seu talo é pintado de cor preta, marrom e branca. Corta no cerne e veras que será resistente para tecer abano”.
De manhã, o homem ao se lembrar do sonho, sem dizer nada a sua esposa, pegou seu facão e seu remo para ir a floresta corta a cerne da palmeira que ele não conhecia.
Ao começar a caminhada, queria reconhecer a palmeira que o Sapshico o havia mencionado em seu sonho. Avançou um trecho e olhou para um lado do caminho. Ai viu a palmeira e o reconheceu como palmeira chamada Javari (wiririma). Alegre voltou a sua casa e deu a sua mulher os materiais para que trabalhe com suas instruções para fazer um abano com formato do rabo do pirarucu.
Então, a mulher começou a elaborar o abano. Teceu como fez o primeiro e saiu muito bem, não duvidou que seu trabalho fosse bom. Desse momento em diante as mulheres tiveram como fazer arder o fogo e já não sofrem em fazer ferver a água de suas panelas (yukuchi). Foi um avanço a mais para o povo Kokama.
1. Existem grande variedades de seres espirituais da floresta, benignos e malignos, o Shapshico é uma espécie que personifica os espíritos da selva, é de pequena estatura, corpo alongado de cor vermelha, com dois chifres pequenos e rabo de bode, características semelhantes às do fauno da mitologia do velho mundo. O shapshico, é um ser que habita a imensurável floresta amazônica convivendo com a fauna, manifesta-se no plano físico para poder cometer feitos, sem distinguir suas vítimas, causando espasmos, vômitos e desmaios, apenas com sua presença, a fim de poder roubar, insultar e até matar seres vivos (animais pequenos ou pessoas) que vão a lugares remotos dentro da selva. Na época da invasão europeia representava um perigo terrível para os primeiros colonizadores, porém, este espirito é vulnerável no plano físico, por isso foi objeto de caçadas infernais e hoje está quase extinto.
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Origem da menstruação

Antigamente, em uma aldeia, vivia uma família com dois filhos. Em certa noite os sapos cantavam incansavelmente dizendo “curu-curu”, que quer dizer algo vai acontecer.
Porém passaram dias e noites e não aconteceu nada.
Uma tarde, o mais velho quis ir visitar uma casa. A filha mais velha daquela casa bateu caiçuma e brindou ao visitante em uma mocagua para tomar. Porém a taça de barro ficou muito pesada.
Veio mais gente e não puderam acabar a caiçuma da pequena mocagua pesada. Todos se encheram de tanto tomar caiçuma. Logo a menina convidou a seu pai e ele viu que da testa de sua filha caia uma gota de sangue, que havia pingado na mocagua de caiçuma.
O pai não disse nada. Devolveu a mocagua a filha e depois de tomar caiçuma todos voltaram a suas casas. À noite a árvore de chuchuhuashi fez sonhar o pai da menina e disse: Constrói uma casa grande e anuncia uma importante festa.
Tua filha agora é mulher porque virá seu sangue em cada lua. Isso será assim a partir de hoje, quando eu derramar qualquer dia em cada mulher e dessa maneira começará em outras mulheres jovens a menstruação.
O pai fez tudo o que disse a árvore de chuchuhuashi em seu sonho. Quando esteve tudo pronto, o avô da mulher ordenou convidar todos os Kokama do povo para ver o grande feito. Todos os convidados foram a casa.
Reunidos na noite o mais velho mandou cantar cantos de alegria. O avô pegou uma mocagua cheia de suco de shushuhuashi e derramou em cima de umas folhas de coca torrada e amassada dizendo: este é o sangue que irão derramar todas as mulheres a partir de hoje.
Logo a menina saiu do quarto onde estava escondida e detrás dela saíram varias mulherzinhas. Uma delas estava nua e tinha o corpo pintado de vermelho com sangue menstrual desde a cintura até a metade da perna como se fosse um vestido.
Todos se sentaram no centro da casa. A menina nua disse: “Somos mulheres do povo Kokama, de sangue, corpo e alma. Derramaremos o sangue toda vez quando a lua se mover de lugar. Não teremos dores fortes, não cairá bastante, não iremos morrer.
É um aviso que já estamos aptas para ter filhos e cada vez que uma mulher comece a ter o corpo novo para ser mãe, façam dietar por oito dias. Queiram suas filhas, cuidem bem delas quando são pequenas porque o chuchuhuashi assim nos ensinou”.
Assim pela primeira vez se conheceu a menstruação no povo Kokama. Desde esse dia fazem festa da primeira menstruação, festa da moça nova e faz dietar as mulheres por oito dias.
Por isso, como de costume, quando a menina menstrua pela primeira vez, deve ser colocada em uma rede que esta amarrada no oitão da casa, onde ficará dentro até que acabe a menstruação e só poderá ser cuidadas pelas mulheres, mãe e avó.
Lá dentro da rede ela será alimentada, asseada e feita suas necessidades fisiológicas.
No final da menstruação é feita uma grande festa. Para iniciar a festa, as mulheres levam a moça que esta pintada na parte de cima de jenipapo e parte de baixo de urucum, ficará igual uma semente de tento, totalmente nua, que será levada ao igarapé ou rio para ser lavada pelas mulheres, sem a presença de homem, então veste uma roupa tradicional a moça nova que será apresentada para a comunidade.
Por isso, quando a mulher esta menstruada não pode dormir ao lado do esposo e nem ter relações sexuais, porque vai atrair azar ao marido ou ao homem que encostá-la. Se mulher menstruada ficar no ritual de ayahuasca deixará todo mundo sofrendo vomitando muito. Por isso, a mulher menstruada deve evitar encostar-se a homem algum ou cumprimentar um homem com as mãos.
Chuchuhuashi; Chuchuacha
Nome em Kokama: Chuchawasha
Nome científico: Maytenus laevis, Maytenus macrocarpa.
Tento vermelho-preto
Nome em Kokama: Tentu tururuka tsuni
Nome científico: Ormosia arborea
Nota: A jovem Kokama que menstrua pela primeira vez se pinta e fica igual uma semente de tento. Durante o período da menstruação as mulheres mais velhas da casa pinta a jovem da ponta dos seios até os pés de jenipapo e da ponta dos seios para cima de urucum. Todo asseio da mulher jovem é na rede, onde dieta na rede, faz as necessidades na rede e é cuidada na rede sem poder descer. No dia que acaba a menstruação ela é levada para o rio para ser lavada pelas mulheres, enquanto cantam icaros de sorte e proteção. Depois ela vesta a roupa de festa, onde será apresentada a aldeia. Durante o tempo na rede as mulheres fizeram muitas tranças e seus cabelos, durante a festa da dança da menstruação e cortam as três tranças da nuca da jovem, a trança do meio é presenteada aos padrinhos. No período de menstruação a energia espiritual da mulher fica muito forte, por isso não pode ser vista e nem encostar-se a homem nenhum, se não ela tira toda sorte do homem.
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O homem que se transformava em garça

Contam nossos antepassados que antigamente os Kokama não eram pescadores. Tinham muitas dificuldades para pescar.
Certo dia, chegou um homem a pequena aldeia para pedir hospedagem e como se aproximava o entardecer decidiu ficar na primeira casa que encontrou da pequena aldeia.
O dono da casa tinha 3 filhas e um filho, todos jovens. O homem visitante notava que na pequena aldeia era escassos peixes. Perguntou: “onde fica o lago?” E como em pouco tempo se fez conhecido, a gente o deu informação.
Um bom dia, o homem foi pescar e voltou muito cedo trazendo bastantes peixes. As pessoas se surpreenderam porque ninguém deles podia pescar tanto peixes em tão pouco tempo.
A este homem tiveram muito apreço, tanto assim, que o dono da casa onde morava o entregou logo uma de suas filhas. Muitas pessoas queriam segui-lo para ver como ele pescava, porém ele sempre negava.
Em varias oportunidades enganou varias gentes dizendo que o chamaria para ir pescar. No entanto, ele saia primeiro sem chamar ninguém.
Como notavam um pouco estranho o comportamento do pescador, seu cunhado seguiu as suas pegadas. Um dia se surpreendeu ao vê-lo pescando transformado em uma garça.
Ao voltar para sua casa, o cunhado contou a sua irmã: “teu marido é uma garça, por isso, quando sai para pescar traz bastantes peixes”.
Efetivamente, ao voltar para sua casa, o pescador trouxe bastante peixe, porém como sua mulher estava bastante com raiva com o feito dali.
Nesse momento, o homem se transformou completamente em garça e se foi embora viver longe.
Deus o amaldiçoou por ter havido negado a ensinar a pescaria aos demais homens, enfim, como seu cunhado havia visto como pescava, ensinou aos demais como fazer a pescaria.
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Aparição de Deus na terra

Conta os antigos, que um dia em uma aldeia apareceu um cachorro doente, com muitas feridas no corpo. Ao vê-lo tão doente as pessoas não queriam acolhê-lo e nem queria que estivesse na aldeia.
Como todo animal, o cachorro entrava em qualquer casa onde encontrava a porta aberta. Entrou em uma casa, o dono da casa o bateu e o jogou para fora. O cachorro saiu correndo e entrou em outra casa, porém o dono fez o mesmo, o bateu e o jogou para fora.
De igual maneira, o cachorro saiu correndo. Em toda aldeia sempre existe pessoas boas e ruins. O cachorro seguiu caminhando e a gente que o encontrava no caminho dizia: “Que cachorro tão doente”.
Ninguém queria se aproximar pelo mau cheiro que tinha. Depois o cachorro entrou em outra casa, ai vivia uma senhora que tinha duas filhas, senhoritas muito bonitas, uma dos quais se encontrava na casa no momento e a outra havia ido à roça com a mãe.
Ao ver o cachorro entrar na casa, a filha que havia ficado na casa se assustou, porém olhou o cachorro e o acolheu. Logo deu banho, lavou suas feridas, o curou e deu de comer. Para que sua mãe não se zangasse, a menina escondeu debaixo de sua cama.
Chegou a noite e todos foram dormir. Ao amanhecer o dia a menina procurou o cachorro e não o encontrou. Pensou que alguém o havia jogado fora ou matado, porque havia desaparecido.
Passaram 3 dias e chegou a aldeia um jovem nobre e sincero, com barbas compridas. Chegou à casa da menina e perguntou das irmãs quem foi que curou o cachorro? As irmãs se assustaram e uma delas disse: “eu dei banho e curei um cachorro”. O jovem o respondeu: “Eu era esse cachorro a quem curaste”.
Então, convidou a menina para ir morar com ele. Pegou a menina, embarcaram em uma canoa e se foram.
O cachorro era Deus. Deus havia se convertido em cachorro fraco, com feridas em seu corpo para ver quem o curava e se havia pessoas boas e ruins no mundo.
Katupe Tiutsu tuy+ukakuara
ɨmɨntsara ɨmɨnankana, mari wepe kuarachi ya wepe ritamakuara katupetsuri wepe y+awara aikua, y+a chita y+apitsa tsukuara. A umi aitse aikua awakana tɨma tseta rana tawa ay ni tseta mari y+uti ritamakuara.
Maniaka upi animaru, y+awara aki ramaka uka maka tsawitika a y+akɨna epeka. Akiui ya wepe uka, yara uka ayukaui ay y+a itikaui mariratsui. Y+awara uchima y+apanawa ay akiui ramua uka, iy+an yara y+auki tsupiri, ayukaui ay y+a itikaui mariratsui.
Ikiaka, y+awara uchima yapananpu. Upi ritamakuara tsapa emete awakana era ay aitse. Y+awara chikuarata uwatawa ay y+a awa mari purara pekuara kumitsa: “Mari y+awara aitseme aikua”. Nin awa tseta pɨrita y+a ipitiu mari emetui.
Riantsui y+awara akiui amua uka, ay kakɨrɨtsuri wepe tsinura mari emete mukuika tairakana, kuniati rana aitse erapaka, wepe makatin purara uka aipuka ay y+a amua emete utsu ku y+a mama.
A umi y+awara aki ukakuara, a taira mari emete y+uriti ukakuara ɨtse, y+awɨrɨ umiui y+awara ay y+a tawaui. Riantsui y+umiui y+atsuka, tsukuta ra y+apitsa, mutsanaraui ay y+umi ey+umira.
Marira ra mama tɨma y+umɨra, a kuniatitsuri y+amimi tuy+uka arɨwa ra kama. Y+awachima a ɨpɨtsa ay upi rana utsu ukɨrɨ. A kanata kuarachi a kuniati chikariui y+awara ay tɨma puraraui. Ikuakaui mari awa emeteui itikatsui tsurin umanuta, marira emeteui ukaima.
Ukuata mutsapɨrɨka kuarachi ay y+awachima a ritamakuara wepe kunumi erapakatun ay era, y+a muta ipuku. Y+awachimaui a uka kuniati ay piyataui kuniakana awatipa utsui mari mutsanaraui y+awara? Kuniakana ɨtseta rana ay wepe ra kumitsa: “tsa y+umiui y+atsuka ay mutsanaraui wepe y+awara”. Kunumi tsawitiui: “Ta pupeui yukan y+awara a awatipa mutsanaka”.
Raepe, paritsara a kuniati marira utsu kakɨrɨ y+a ra. Y+apichika a kuniati, uwarita rana wepe ɨara ay utsu.
Y+awara yay Tiutsu. Tiutsu emete uwaka y+awara aitse, y+apitsamuki ra tsu marira umi awatipa mutsanaka ay emeteui awakana era ay itsen muntukuara.
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quarta-feira, 15 de março de 2023

Origem dos irmãos estrelas sete cabrinhas

No tempo em que Deus andava na terra, havia uma jovem Kokama mãe que tinha sete filhos, ela não era uma boa mãe, ficava balançando preguiçosamente os filhos na rede em vez de cuidar bem deles. Quem cuidava das crianças era a avó que fazia comida, abrigava e agasalhava os netos.
Um dia a anciã morreu e os meninos ficaram abandonados. A avó de tanto ser amorosa com as crianças se transformou em jiboia preta.
Então, o mais velho dos irmãos procurava comida, frutas, raízes e peixes, mas ele ainda era pequeno demais e nem sempre encontrava comida suficiente para todos os irmãos, que quando não encontrava nada para comer, ele trazia folha de coca para seus irmãos mastigar para suportar a fome.
Quando não suportavam mais, choravam de fome, a mãe os enganava com alguns chás.
Numa certa noite já estavam muito fraquinhos, porque não comiam nada, já sem forças para chorar quando o irmão mais velho disse: “irmãos vamos fugir para o céu, lá nos teremos comida em abundancia”.
Nesse momento passava uma brisa que soprou e foi levantando eles e levando para o céu os sete irmãos.
Quando a mãe acordou, procurou os meninos, não vendo os filhos começou chamar por eles. Ela olhou e viu que eles já estavam subindo altos. Então eles disseram para a mãe: “estamos indo para o céu, lá teremos comida em abundancia, não se preocupe mais conosco”.
A mãe aflita e arrependida gritava e chorava: “Meus filhos voltem!!!”
Era tarde demais, os irmãos já estavam tão altos que viraram estrelas. E começaram a brilhar no céu. Porque os meninos eram filho de Deus com a mulher.
Agora todos nós conhecemos as crianças estrelas como “Sete cabrinhas” e de lá do céu eles ajudam o povo Kokama a ter sorte na vida e abundancia na colheita.
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A lenda do Espírito da Floresta

O Espírito da Floresta também conhecido como “Chullachaqui” é um demônio de pequena estatura, quem diz tê-lo visto afirma que ele usa um gr...